Na véspera de reunião decisiva com autoridades do governo federal, o governador Cláudio Castro e o prefeito Eduardo Paes se juntaram em busca de uma solução para o aeroporto do Galeão. Afinados na defesa de uma saída urgente para salvar o hoje sucateado terminal, os dois reúnem-se amanhã em Brasília com o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, para discutir o tema.
Em exposição durante debate promovido pelo GLOBO, Castro afastou a hipótese de que questões de segurança na Linha Vermelha e a distância do Galeão do Centro sejam as causas de seu esvaziamento. Para ele, o crescimento do Santos Dumont prejudica o terminal internacional.
— Não é um problema principal nem a segurança e nem a distância. O problema é que um aeroporto está canibalizando o outro.
O prefeito Eduardo Paes concordou com Castro e acrescentou que a falta de um transporte de trilhos até o aeroporto não é o problema. Afirmou que o trem que dá acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, é usado por menos de 10% dos passageiros que embarcam lá.
O governador iniciou ressaltando a busca de uma solução compartilhada entre as autoridades, sem que seja necessária qualquer tipo de imposição, mas na saída do evento, Paes não descartou a adoção de medidas locais para limitar a operação no Santos Dumont em favor do Galeão.
O prefeito criticou o que identificou como uma movimentação para “forçar uma barra” para a saída da atual concessionária do Galeão (liderada pela Changi, de Cingapura, a maior operadora de aeroportos do mundo) e a devolução do terminal internacional à Infraero, o que fortaleceria a estatal, que atualmente tem no Santos Dumont a sua principal fonte de receitas. Ele defendeu que se mantenha a gestão privada do Galeão e que o mesmo seja feito com o Santos Dumont.
— O Brasil adotou a solução adequada no governo do PT, da presidenta Dilma Rousseff, de privatizar os aeroportos — afirmou Paes. — Basicamente o que tem que fazer é o seguinte: Galeão e Santos Dumont têm que ser pensados integrados.
O secretário de Aviação Civil, Juliano Noman, afirmou que o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, determinou que sejam avaliadas todas as alternativas. E disse acreditar que uma saída passa por várias medidas ao mesmo tempo.
— Não tem bala de prata. O que temos feito e colocado na mesa são diversas alternativas. Uma boa solução para o Rio vem com mais de uma iniciativa. É isso que o ministro deve buscar na reunião para criar um plano de ação.
O prefeito reagiu dizendo que o problema do Galeão “é para ontem” e precisa de respostas urgentes e medidas concretas. Ele defendeu a redução do número de passageiros do Santos Dumont dos atuais 15 milhões de passageiros por ano para 6 milhões como forma de forçar a transferência de voos para o Galeão.
— Vamos brigar pelo Galeão, que é fundamental para o Rio de Janeiro — disse Paes.
Sobre a possibilidade de os Correios terem um centro de distribuição no Galeão, Paes disse que será uma medida importante. E afirmou que aceita zerar a cobrança de ISS dos estabelecimentos do terminal internacional.
Castro também disse que aceita “perder receita”, como na cobrança de ICMS de combustível para aviões, para ajudar numa solução. E defendeu que a União precisa contemplar a perda de receitas da Infraero com limites na operação do Galeão. Ele lembrou que terá uma reunião com Márcio França em Brasília amanhã, com a participação de Paes, para discutir o tema.
— O estado, a prefeitura e a União têm que topar perder. E o estado e a prefeitura topam — disse Castro, dirigindo-se ao secretário de Aviação Civil. — Leve para o ministro que queremos sair amanhã dessa reunião com isso resolvido.
O Galeão, que chegou a embarcar 17 milhões de passageiros em 2014, terminou o ano passado com 5,9 milhões. No Santos Dumont, o total superou 10 milhões no ano passado, acima do nível de 9,2 milhões de 2013.
Noman destacou que alcançar 8 milhões em 2023 já seria um aumento de 40% na operação do Galeão. Já para o Santos Dumont, a previsão do governo é de um crescimento de 10% na movimentação neste ano, até porque o terminal tem batido no limite de capacidade.
Castro lembrou que a Infraero é sócia do consórcio que atualmente administra o Galeão, liderado pela Changi, e que os investimentos recentes foram financiados pelo BNDES. A estatal tem 49% da concessionária, e portanto teria a ganhar com a revitalização do Aeroporto Internacional do Rio.
— Fortalecer o Galeão também fortalece o governo federal, que tem um ativo que está sendo depreciado. Está deixando de ganhar o dinheiro para comer o mês inteiro pensando só no jantar do dia de amanha.





