RICARDO BRUNO
Indiciado pela Polícia Federal, num processo que apura suposta corrupção na Fundação Leão XIII, em 2017, época em que era vereador, o governador Cláudio Castro está convencido de que PF está agindo com motivação política.
Em conversa com a Agenda do Poder, Castro cita três pontos que lhe trouxeram estranheza no caso: “o vazamento criminoso” da informação sem que a defesa tivesse acesso aos autos; o fato de não ter sido ouvido até agora pela PF; e a provável usurpação de competência do ministro Raul Araújo, relator da ação no STJ, na decisão de indiciá-lo.
Casos em que o acusado tem foro especial, por prerrogativa de função, como o dele, somente a ministro responsável pelo inquérito pode promover o indiciamento. A Policia Federal atua sob delegação, reunindo apenas informações para decisão do relator.
Se efetivamente a autoridade policial tiver decidido pelo indiciamento, os advogados do governador vão pedir a imediata anulação do ato, dada a flagrante irregularidade.
– Após cinco anos da chamada Operação Catarata, eu sequer fui ouvido. Não tive ainda a oportunidade de apresentar minha versão sobre os fatos – protesta.
Para comprovar o tratamento parcial, Castro cita o caso do ministro das Comunicações, Juscelino Filho, que foi ouvido recentemente pela PF em inquérito que apura supostos desvios de emendas parlamentares.
– Por que um ministro de Lula investigado é ouvido e um governador de estado não. Por que sou de um partido de oposição? A PF não pode fazer política; tem que agir tecnicamente.
Claudio Castro defende o imediato afastamento do delegado responsável pelo caso para que seja apurado o vazamento da informação.
– Esse vazamento, sem que a defesa tenha acesso aos autos, é um crime abominável. O delegado deve ser afastado para que tudo seja esclarecido. Se houve indiciamento, as cartas já estão mesa, não há motivo para que a defesa não tenha acesso ao inquérito. Isto, se confirmado, constitui cerceamento da defesa – conclui.





