Estava tudo praticamente pronto para o dia em que Mayara Anjos Galvão, 28, realizaria o sonho de se casar, sendo levada pelo pai até o altar. Mas, três dias antes da cerimônia realizada em 22 de janeiro, seu Agnaldo Antônio Galvão, 63, sentiu um “choque” no pescoço e caiu de bruços na cama.
A história aconteceu em Araranguá, Santa Catarina.
Mayara soube da internação no dia seguinte, quando estava indo fazer a última prova do vestido junto com a mãe, Maria Cristina Pereira Galvão, 57. “Adiei o compromisso com a costureira e fomos visitar meu pai, que aparentemente estava bem.”
“Na véspera do casamento, visitei meu pai pela manhã. Ele me pediu desculpas pela situação, disse que gostaria de estar na cerimônia, mas dependia da liberação dos médicos”.
O pai estava com uma compressão da medula, na altura da coluna cervical — se ele fizesse qualquer movimento brusco, ainda que dormindo, havia o risco de perder os movimentos do corpo.
“Fiquei arrasada e chorei muito. A ausência do meu pai significava que o meu casamento seria incompleto, ele não me veria vestida de noiva, era como se eu não tivesse a benção dele. Não consegui dormir direito e cheguei desanimada no local em que seria a cerimônia e a festa.”
No dia do casamento, perto da hora do almoço, o irmão de Mayra ligou para avisar que o hospital se solidarizou com o caso de Mayra e abriu uma exceção: ela e o noivo poderiam visitar seu Agnaldo na UTI após a cerimônia e a festa.
Os noivos chegaram ao hospital pouco antes da meia-noite, a visita foi rápida, mas muito significativa. Meu pai me viu vestida de noiva, me deu a sua benção e disse que meu marido era o novo filho dele. Era como se eu estivesse entrando no altar pela segunda vez, foi o momento mais especial que tive com o meu pai em toda a minha vida. Fui embora com a sensação de missão cumprida.
Após o casamento da filha, Agnaldo fez uma cirurgia de descompressão da medula. Ele recebeu alta um dia antes do aniversário de 28 anos de Mayara, que cancelou a viagem de lua de mel e foi temporariamente morar na casa dos pais, para ajudar na recuperação de seu pai.
(A história está no Viva Bem, do UOL)





