Cinema de Botafogo vai exibir documentários feitos por estudantes de escolas públicas do Rio

Filmes criados por jovens de bairros como Penha, Cascadura e Osvaldo Cruz serão exibidos no Cine Estação NET Rio

Foi na Penha que Erik Richard Teixeira, de 11 anos, descobriu uma nova forma de enxergar sua realidade. Estudante da Escola Municipal Brant Horta, ele participou do Programa Imagens em Movimento (PIM) e não esconde o entusiasmo:

— Aprendi muitas coisas que eu não sabia. Antes, assistia a filmes sem pensar, mas agora consigo analisar. Foi incrível!

A experiência de Erik é apenas um dos frutos que a iniciativa desenvolvida pela ONG Raiar vem colhendo em escolas públicas da região. Na próxima quinta-feira, a partir das 10h, seis documentários criados por jovens de Penha, Cascadura, Osvaldo Cruz e outros bairros cariocas serão exibidos no Cine Estação NET Rio, em Botafogo, em uma mostra gratuita aberta ao público.

Os filmes revelam um olhar sensível e crítico dos estudantes sobre temas que atravessam suas vidas. O documentário “Nas linhas diárias”, por exemplo, aborda as histórias dos vendedores ambulantes nos trens e na estação de São Cristóvão, capturando as dificuldades e alegrias de quem vive no ritmo frenético das viagens diárias. Entre os jovens participantes, Geovana Sardinha Ferreira, de 16 anos, aluna do 1° ano do ensino médio no Colégio Estadual Professora Maria Nazareth Cavalcanti Silva, em Cascadura, compartilha a emoção de integrar o projeto:

— A experiência de passar pelo Imagens em Movimento foi incrível, praticamente a realização de um sonho. Estou bem animada com esse documentário que estamos fazendo; tenho uma expectativa muito grande em relação a ele.

Outro destaque é o curta “Adolescência no Complexo da Penha”, produzido por estudantes do bairro, que explora a complicada relação entre infância e violência no bairro. Já estudantes da Escola Municipal José Emygdio de Oliveira, em Osvaldo Cruz, escolheram narrar as transformações do Parque Madureira, um símbolo de resistência e lazer na Zona Norte.

Para Hellen de Brito Santos, de 15 anos, aluna do Maria Nazareth Cavalcanti Silva, a iniciativa é uma oportunidade de construir seu futuro

— O projeto é muito necessário, principalmente para jovens que sonham trabalhar com cinema. Ele abre portas para quem quer ser diretor ou ator, como eu.

O PIM oferece oficinas de cinema gratuitas em escolas públicas no contraturno escolar, ensinando jovens a desenvolver obras autorais completas, do roteiro à edição. Para Ana Dillon, diretora e professora do programa, o cinema vai além da técnica.

— Os documentários refletem os olhares dos jovens sobre o que consideram relevante em suas comunidades, traduzindo suas preocupações e sonhos — diz.

Desde 2011, o projeto já beneficiou mais de 2.700 estudantes e 220 educadores, com 220 filmes produzidos.

A mostra de curtas é parte de uma rede internacional, a Cinema, Cem Anos de Juventude, que conecta jovens cineastas de 15 países. Dois estudantes cariocas representaram o Brasil em Lisboa, em junho de 2024, durante o encontro internacional À Nous le Cinéma!, ao lado de cineastas renomados, como o português Pedro Costa.

Após a exibição no Rio, a mostra segue para outras cidades, incluindo Vitória (ES) e Macaé (RJ).

Com informações de O GLOBO.

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