Cigarros falsos: Denúncia do MPF torna réus o bicheiro Adilsinho e mais 35 por tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro e outros crimes

Grupo movimentou R$ 70 milhões em 10 meses e mantinha trabalhadores paraguaios em regime análogo à escravidão

A operação Libertatis, conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), revelou um esquema criminoso de grande escala envolvendo a falsificação de cigarros e o uso de trabalho escravo em fábricas clandestinas no estado do Rio de Janeiro. Segundo a investigação, uma única empresa de fachada ligada ao grupo movimentou cerca de R$ 70 milhões em apenas 10 meses, no ano de 2020. As informações são da coluna de Fábio Serapião no portal Metrópoles.

Os dados constam na denúncia já aceita pela Justiça Federal, que tornou 36 pessoas rés pelos crimes de organização criminosa, tráfico de pessoas, redução à condição análoga à de escravo, contrabando, falsificação de documentos, uso de substâncias nocivas à saúde pública, crimes contra as relações de consumo, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

A investigação, conduzida pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF, aponta que o grupo operava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre núcleos responsáveis pela produção, logística, lavagem de dinheiro, comércio ilegal e tráfico de pessoas.

De acordo com os procuradores, a organização criminosa usava empresas de fachada para ocultar seus vínculos com as atividades ilegais. Essas firmas emitiam notas fiscais falsas e movimentavam grandes volumes de dinheiro, tanto por meio de contas bancárias quanto em espécie. O MPF destaca que se trata de uma quadrilha com atuação armada e transnacional, já que parte dos cigarros falsificados era destinada ao mercado internacional.

A operação teve início a partir de denúncias sobre o uso de mão de obra escrava em fábricas clandestinas de cigarro. As investigações identificaram três locais de produção nas cidades de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e em Paty do Alferes, na região serrana.

Nesses locais, os investigadores encontraram 49 trabalhadores paraguaios vítimas de tráfico de pessoas. Especializados na fabricação de cigarros, eles foram aliciados com falsas promessas de emprego e trazidos ao Brasil por um dos integrantes do grupo. As vítimas foram submetidas a jornadas exaustivas, viviam em condições degradantes e tinham sua liberdade de locomoção restringida.

O MPF revelou ainda que o grupo contava com a colaboração de agentes públicos responsáveis por garantir a segurança dos envolvidos, contribuindo para a impunidade e o funcionamento prolongado do esquema.

Entre os denunciados está o bicheiro Adilsinho, que se encontra foragido. Em março deste ano, a Polícia Federal prendeu seu braço-direito, Luis Verdini, que atuava como assessor direto e, segundo a denúncia, exercia o papel de gerente administrativo da principal empresa de fachada usada para movimentar recursos do esquema.

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