Chupar chupeta vira moda entre adultos para aliviar ansiedade; mas há risco para a saúde?

Inspiração vem da China e conquista jovens e adultos cariocas, mas psicólogos e dentistas fazem alerta

No Rio de Janeiro, adultos e jovens têm adotado um hábito inusitado: chupar chupetas. O que antes era restrito a bebês agora se transforma em uma tendência entre a geração Z e até entre adultos, com promessas de reduzir ansiedade, estresse, insônia e até auxiliar na abstinência do fumo. As informações são do Estadão, jornal O Dia e redes sociais.

A moda, que ganhou força nas redes sociais e teve origem em países como China, onde virou febre, e Estados Unidos, chegou ao Brasil como parte de uma “rotina de conforto” para adultos. No Instagram, diversos posts mostram jovens usando chupetas decoradas, algumas avaliadas em até R$ 400, como acessórios que lembram colares ou elementos de estilo pessoal.

Para a psicóloga Mariane Pires Marchetti, especialista em ansiedade e autoestima, o comportamento representa um “retorno simbólico à infância”. “O uso de chupetas por jovens e adultos é um exemplo de como o corpo e a mente buscam mecanismos rápidos de autorregulação diante da sobrecarga emocional. É fundamental trabalhar o estresse na sua origem, criando estratégias mais saudáveis e duradouras”, explica.

Outra especialista, Fátima Aparecida Silva, aponta que a prática pode funcionar como um atalho para anestesiar o desconforto: “É uma fuga não só da ansiedade, mas também de formas mais maduras de lidar com os desafios diários. Pode haver ainda uma necessidade de se destacar ou pertencer a um grupo, mas a eficácia dessa iniciativa é questionável”, afirma.

Apesar de parecer um recurso inofensivo, dentistas alertam para os riscos. A cirurgiã-dentista Thais Moura afirma que a sucção prolongada pode desalinhamento dentário, problemas na mordida, disfunções temporomandibulares e doenças gengivais. “Usar um recurso para aliviar a tensão que gera outros cinco problemas não compensa. A melhor abordagem envolve psicologia e odontologia”, completa.

Moradores do Rio de Janeiro têm opiniões diversas. A aposentada Denise Rolim, de 58 anos, considera a prática estranha e prejudicial: “A chupeta acalenta o bebê. O adulto tem muitas outras formas para se acalmar e ainda estraga os dentes!”, diz. Já a professora Eliana Santos, de 66 anos, encara a novidade com humor e curiosidade: “Vou experimentar e registrar a foto com meu bisneto… vai viralizar!”, comenta.

Para especialistas, embora a tendência ganhe visibilidade nas redes sociais, alternativas mais saudáveis para o controle do estresse incluem psicoterapia, exercícios físicos, mindfulness e fortalecimento de redes de apoio. A chupeta pode trazer alívio momentâneo, mas não resolve a raiz do problema: a pressão emocional e a ansiedade que afetam cada vez mais adultos brasileiros.

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