Centro Integrado de Segurança Pública de Niterói passa a detectar disparos de armas de fogo

Com inteligência artificial, detecção de disparos e câmeras avançadas, nova fase do Cisp promete ampliar integração entre forças de segurança e acelerar prisões

Prestes a completar dez anos, o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Niterói entra em uma nova fase. Batizada de “Cisp 2.0”, a atualização tecnológica aposta em soluções inovadoras para reforçar o combate ao crime e já está em operação. O principal destaque é o ShotSpotter, sistema americano de detecção de disparos de arma de fogo em tempo real, que agora começa a ser implementado também na Zona Sul da cidade.

Em funcionamento há dois meses na Zona Norte, o ShotSpotter utiliza sensores capazes de captar sons de tiros, identificar o calibre e enviar, em até 60 segundos, a localização exata dos disparos ao Cisp. A central, então, aciona as forças de segurança. A nova fase do projeto custou R$ 9 milhões aos cofres públicos.

Nos primeiros testes, o sistema detectou duas ocorrências relevantes. A primeira foi a invasão de uma facção criminosa ao Morro Boa Vista. Quando a polícia chegou ao local, já havia um homem morto. Em outra situação, uma sequência de tiros de fuzil foi registrada nos acessos ao Morro dos Marítimos, no Barreto. A atuação conjunta entre o ShotSpotter e o cercamento eletrônico permitiu a identificação do veículo usado pelos suspeitos, que haviam cruzado a Ponte Rio-Niterói. A suspeita é de que os criminosos tenham vindo da capital com intenção de ocupar o território.

“Como policial de carreira, posso dizer que o Cisp mudou o jogo. É uma central de inteligência que antecipa movimentos criminosos e nos permite montar ações com precisão”, afirmou o secretário municipal de Ordem Pública, Gilson Chagas.

Inteligência artificial e reconhecimento de padrões

Além da detecção de tiros, o “Cisp 2.0” incorpora câmeras de última geração e algoritmos de inteligência artificial com capacidade de aprendizado (machine learning). Agora, o sistema reconhece não só fragmentos de placas, mas também cores de veículos e comportamentos suspeitos.

O diretor do Cisp, Nilson Cunha, destaca que a tecnologia foi ampliada graças ao treinamento contínuo dos sistemas com grandes volumes de dados.

“Já tínhamos resultados muito positivos apenas com o reconhecimento de fragmentos de placas, mas agora, com o treinamento dos robôs, ampliamos o sistema e passamos a reconhecer também as cores dos veículos. É uma tecnologia de ponta, com resultados concretos, e estamos atentos”, explicou.

A atuação pode ser em tempo real, com alertas automáticos às forças de segurança, ou de forma investigativa, como no recente caso que levou à prisão de um traficante foragido. Promotores do Ministério Público também passaram a ter acesso às informações geradas pela nova plataforma.

Dez anos de operação com resultados expressivos

Criado em 2015 como parte do Pacto Niterói Contra a Violência, o Cisp integra diferentes forças e órgãos de segurança. Ele monitora, 24 horas por dia, imagens de 522 dispositivos e 38 portais de entrada e saída da cidade. As câmeras inteligentes somam 120 unidades e atuam em tempo real com cruzamento de dados de mandados de prisão e alertas criminais.

De acordo com a prefeitura, o setor de inteligência do Cisp colaborou com mais de cinco mil imagens e relatórios técnicos enviados ao Judiciário e a delegacias ao longo de uma década. O cercamento eletrônico, criado em 2019, já interceptou mais de 650 veículos roubados, clonados ou ligados a atividades criminosas.

O investimento inicial para a construção do Cisp foi de cerca de R$ 20 milhões, dos quais R$ 3 milhões vieram do governo federal. Em 2024, a prefeitura investiu mais R$ 1,4 milhão na expansão da conectividade em 110 pontos de monitoramento.

Com a nova fase, Niterói amplia sua aposta em tecnologia como ferramenta central para prevenir crimes, acelerar respostas e fortalecer a integração entre as forças de segurança pública.

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