O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), defendeu nesta terça-feira (1º) a abertura de um diálogo entre o Palácio Guanabara, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e a Prefeitura do Rio para definir os rumos da gestão do Sambódromo. A declaração foi feita um dia após a Alerj derrubar, por 38 votos a 19, o veto do próprio governador ao Projeto de Lei 57/23, de autoria do deputado estadual Rodrigo Amorim (União), que transfere a administração do espaço da prefeitura para o governo estadual.
Durante uma agenda externa, Castro frisou que o momento exige entendimento entre os entes públicos. “Acho que a melhor saída é o diálogo. A gente entender que este ativo pode ser usado para diminuir uma dívida, pode dar um lucro efetivo ao estado, já que foi o dinheiro do estado que construiu esse ativo. Vamos dialogar com a Alerj e a prefeitura e tentar achar um denominador, porque quem tem que ganhar é o Carnaval. O estado está aqui para colaborar, não para ser motivo de briga”, afirmou o governador.
O projeto aprovado não só transfere de volta ao estado o controle do Sambódromo, como também revoga um decreto que havia concedido à prefeitura o domínio de imóveis da Cidade Nova que pertenciam à antiga Prefeitura do Distrito Federal ou ao antigo governo do estado da Guanabara.
Ao defender a proposta, Rodrigo Amorim argumentou que o Carnaval do Rio deve ser tratado como um bem do estado, e não apenas da capital. O parlamentar ainda citou o desempenho recente das escolas de samba da Região Metropolitana como argumento para a descentralização da gestão. “Das quatro últimas campeãs do Grupo Especial, três são de fora da capital: Grande Rio (Duque de Caxias, 2022), Viradouro (Niterói, 2024) e Beija-Flor (Nilópolis, 2025)”, destacou. A única exceção foi a Imperatriz Leopoldinense, do Rio, em 2023.
Prefeitura anunciou que pretende recorrer à Justiça
A Prefeitura do Rio, por sua vez, já anunciou que pretende recorrer à Justiça para tentar reverter a decisão da Alerj. Pelas redes sociais, o prefeito Eduardo Paes (PSD) reagiu de forma crítica à aprovação do projeto e reforçou que o governador chegou a vetar a medida. “Em tempo: gostaria de destacar aqui que o governador Cláudio Castro vetou esse delírio. Ele sabe que tem coisas mais importantes para cuidar”, escreveu Paes.
O imbróglio reabre a disputa política entre estado e município pelo controle de um dos maiores símbolos culturais e turísticos do Rio: o Sambódromo da Marquês de Sapucaí, palco do desfile das escolas de samba e vitrine internacional do Carnaval carioca. Enquanto o governo estadual tenta assumir o protagonismo administrativo, a prefeitura defende que sua gestão é mais eficiente por estar diretamente ligada à organização da festa.
Com a judicialização iminente, o futuro da Sapucaí permanece incerto. O desfecho, ao que tudo indica, dependerá de um novo acordo — ou de uma decisão do Judiciário.





