Castro precisa trocar a equipe para não ser arrastado pela crise

RICARDO BRUNO O julgamento hoje do afastamento do governador Wilson Witzel no STJ apresentou, em várias oportunidades, considerações sobre a continuidade de prática delituosa no governo do estado. Em alguns momentos, ministros justificaram a medida cautelar tomada pelo relator Benedito Gonçalves como uma imposição extrema para estancar a permanente ação de grupos criminosos na administração…

RICARDO BRUNO

O julgamento hoje do afastamento do governador Wilson Witzel no STJ apresentou, em várias oportunidades, considerações sobre a continuidade de prática delituosa no governo do estado. Em alguns momentos, ministros justificaram a medida cautelar tomada pelo relator Benedito Gonçalves como uma imposição extrema para estancar a permanente ação de grupos criminosos na administração pública estadual. Alguns secretários e presidentes de fundações e autarquias chegaram a ser citados em atos supostamente de corrupção.

A sugestão de prática criminosa continuada nas secretarias e superintendências impõe, em resposta, a necessidade de o governador Cláudio Castro zerar o jogo. Ou seja, refazer o secretariado de A a Z, refundando o governo em novas bases. Para que Cláudio Castro tenha minimamente condições de governabilidade é necessário remontar as estratégias de ação governamental, com um time inteiramente novo, comprovadamente sem vínculos com o grupo que controlava a administração.

Não há espaço para composições que contemplem mudanças parciais. É preciso fazer um esforço público para “descontaminar” o Palácio Guanabara das denúncias e suspeições investigadas na operação Tris in idem.

Mudanças assim geralmente ocorrem em eleições quando opositores vencem. E, ao assumirem, refazem a face pública da administração. Em administrações originadas no mesmo núcleo de poder é mais complicado. Cobram-se compromissos, alegam-se amizades, pedem-se demonstrações de lealdade.

É, portanto, um trabalho árduo e politicamente embaraçoso para Cláudio Castro refazer a máquina. Mas a ele as circunstâncias não oferecem outra saída: ou inaugura, de fato, um novo governo ou será tragado pelas denúncias e suspeições que inviabilizaram o governo Wilson Witzel.

A reforma radical do governo, em si, não garante a tranquilidade dos próximos dias de Cláudio Castro. Contudo, a manutenção ainda que parcial da atual equipe, terrivelmente desacreditada e contaminada, é a certeza de que não dará certo.

Não há muitas alternativas ao governador em exercício. Ou começa do zero, a partir de critérios rígidos e transparentes, ou será arrastado para a vala comum do desterro, onde estão Witzel, Tristão, Peixoto, et caterva.

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