A Polícia Civil do Rio de Janeiro está investigando a gravadora Mainstreet Records, ligada a grandes nomes do cenário do funk e rap como MC Poze do Rodo, Orochi, Cabelinho e Oruam, por suspeitas de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e apologia ao crime organizado. A informação foi revelada nesta quinta-feira (29) pelo G1.
A empresa foi fundada pelo empresário Lucas Mendes Lang e pelo rapper Orochi, e está no centro das apurações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Segundo o delegado Moyses Santanna, a investigação não se limita à Mainstreet, mas se estende a outras produtoras que atuam em comunidades dominadas por facções como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP).
Preso na manhã desta quinta em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Poze é acusado de apologia ao crime e vínculo com o tráfico. De acordo com o delegado, os artistas investigados fazem parte de um esquema em que shows em áreas controladas por facções chegam a movimentar até R$ 600 mil por evento, com recursos destinados à compra de armas e drogas.
“A atuação criminosa hoje não se limita à violência física. As facções operam também no campo da comunicação e da influência social”, afirmou o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi.
A investigação aponta que os shows de Poze seriam realizados exclusivamente em áreas dominadas pelo CV, com forte presença de traficantes armados com fuzis, garantindo a segurança dos eventos. Segundo a DRE, as letras das músicas do funkeiro “fazem clara apologia ao tráfico e incitam confrontos entre facções rivais”, além de extrapolarem os limites constitucionais da liberdade artística.
Um exemplo recente foi um baile funk realizado na Cidade de Deus, onde traficantes armados filmaram o show de Poze sem qualquer preocupação com a polícia. O episódio viralizou e reforçou a tese de que os eventos funcionam como instrumentos de propaganda e financiamento das facções.
Além disso, Poze já havia sido alvo da Operação Rifa Limpa, em 2024, quando a polícia apreendeu carros de luxo e joias sob suspeita de sorteios ilegais. Os bens foram posteriormente devolvidos por decisão judicial.





