O processo que pode levar à cassação de Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo assassinato de Marielle Franco (Psol), está enfrentando obstáculos na Assembleia dos Deputados do Rio (Alerj). A fase de instrução probatória, crucial para o andamento do caso, está comprometida pela fuga de testemunhas, informa a colunista Malu Gaspar, do Globo.
Na última quinta-feira, uma reunião foi cancelada porque os investigadores da Polícia Federal no caso Marielle não compareceram ao convite da relatora, a deputada Jack Rocha (PT-ES). Além disso, a sessão prevista para esta terça também foi cancelada porque as testemunhas convidadas informaram que não compareceriam. Como eram convites e não convocações, a presença não era obrigatória.
Entre as testemunhas que recusaram o convite para depor nesta terça estão o atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, a ex-PGR Raquel Dodge, que em 2019 denunciou Domingos Brazão por obstrução da investigação e o apontou como “arquiteto” do homicídio, e o deputado federal Tarcísio Motta (Psol-RJ), colega de Marielle na Câmara Municipal do Rio.
Tarcísio Motta informou que solicitou à deputada Jack Rocha que seu depoimento fosse marcado a partir do dia 3 de julho, o que foi acordado com a relatora. “Tal pedido tem por objetivo termos algum tempo para preparar o depoimento. Concretamente, o meu depoimento poderá acontecer nos dias 03, 04, 10 ou 11 de julho,” explicou o deputado do Psol. Ele ainda esclareceu que a publicação da pauta para o dia seguinte era apenas um trâmite burocrático do Conselho de Ética.
Cinco das 14 testemunhas convocadas deixaram de comparecer ao conselho. Na semana passada, faltaram o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Leandro Almada, e os delegados Guilhermo Catramby e Jaime Nunes, levando ao cancelamento da sessão extraordinária prevista para a quarta-feira (18) para ouvi-los.
Internamente, integrantes do Conselho de Ética afirmam que o processo se tornou uma “brasa viva” para os envolvidos. Nos bastidores, as testemunhas apontam várias razões para não comparecer, desde a inconveniência de fornecer informações que possam ser usadas pela defesa dos acusados no STF até o medo de represálias.
Fontes próximas ao caso mencionaram que a decisão de não depor por parte da PF e de Gonet se deve à avaliação de que um depoimento poderia fornecer dados estratégicos à defesa de Chiquinho Brazão, expondo os investigadores num julgamento considerado político.
As oito testemunhas que ainda aguardam para depor foram arroladas pela defesa de Brazão, incluindo o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), que também deve faltar, segundo apuração.
Outros convocados incluem Jorge Felippe (PP), presidente da Câmara de Vereadores do Rio na época do crime, o vereador Willian Coelho (DC), o vice-presidente do Tribunal de Contas do Município do Rio (TCM-Rio) Thiago K. Ribeiro, o deputado federal Reimont (PT) e o servidor da Câmara de Vereadores, Marcos Rodrigues Martins.
O ex-policial militar Elcio de Queiroz, que conduzia o carro usado por Ronnie Lessa para assassinar Marielle e que firmou delação premiada junto à PF, e o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, que segundo Lessa monitorou Marielle e ajudou na escolha do local do crime, também estão na lista de testemunhas. Ambos estão presos desde 2019 em penitenciárias federais e provavelmente não comparecerão.





