O ex-PM Élcio de Queiroz afirmou, durante a audiência de instrução e julgamento da ação penal contra os mandantes da morte da vereadora Marielle Franco, que o comissário Marco Antônio Barros Filho, conhecido como Marquinho da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), exigiu R$ 1,5 milhão do chefe do Escritório do Crime, o ex-capitão Adriano da Nóbrega, para não o indiciar no inquérito do homicídio da parlamentar.
Élcio acrescentou em seu depoimento que o próprio Ronnie Lessa, assassino confesso do crime, também comentou que Marquinho lhe pediu propina.
— O Capitão Adriano iria ser implicado no assassinato da vereadora, mas pagou R$ 1,5 milhão à DHC, por meio do comissário Marco. Adriano pagou em duas parcelas para não ser incluído no inquérito dela (da vereadora). Marquinho mandou recado para o Ronnie também, mas ele me falou: “Não vou ser extorquido por policial” — contou Élcio. — O comissário Marco dizia que quem mandava na delegacia era ele e o delegado, e que os outros eram só marionetes deles — afirmou o delator.
Perguntado pelo promotor Olavo Evangelista Pezzotti, representante da Procuradoria-Geral da República (PGR), porque decidiu fazer a delação à Polícia Federal, o réu colaborador explicou que não podia confiar na Polícia Civil, especialmente na DHC, justamente devido às extorsões que presenciou.
— Eu não tinha como fazer delação premiada com a Polícia Civil. Na verdade, só o último delegado da DH mencionou a possibilidade de fazer um acordo, mas eu só confiava na Polícia Federal por causa de tudo isso que já falei — disse Élcio, em seu primeiro dia de depoimento, sem revelar o nome do delegado que propôs a delação.
Élcio afirmou que não sabia que o objetivo era matar Marielle, pois, segundo ele, Lessa disse que era para realizar um monitoramento. Apesar de se sentir traído, o ex-PM declarou que não sente raiva de Lessa:
— Minha amizade com o Ronnie não terminou. Fiquei chateado com ele por não ter me contado que era um homicídio. Ele disse que era uma situação de vigilância. Queria colaborar desde o início, mas ele (Lessa) não deixava. Eu queria negociar a minha pena. Sempre fui o provedor da minha família, que só soube que havíamos cometido o crime quando fiz o acordo. Meus filhos foram alvo de chacota na escola. Nossas famílias foram envolvidas nisso tudo — relatou Élcio.
Com informações de O Globo.





