A Justiça dos Estados Unidos condenou na última sexta-feira Daniel Sikkema por participação na trama que terminou com a morte do galerista Brent Sikkema, assassinado em janeiro de 2024 no bairro do Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Além do processo em território americano, o caso também segue em tramitação na Justiça brasileira.
Em decisão publicada no dia 4 de maio, a juíza Tula Corrêa de Mello, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinou a pronúncia de Daniel Sikkema e de Alejandro Triana Prevez, que irão a júri popular. Até o momento, ainda não há data definida para o julgamento no Brasil.
Crime planejado
Segundo o processo que tramita no Rio, Alejandro Triana Prevez é apontado como o executor do assassinato e responde por homicídio qualificado e furto qualificado. A denúncia atribui ao acusado agravantes como motivo fútil, meio cruel, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e promessa de recompensa.
Já Daniel Sikkema é acusado de atuar como mandante do crime. De acordo com a investigação, ele teria prometido pagar US$ 200 mil para que Alejandro executasse o ex-marido.
A decisão mais recente da Justiça do Rio também manteve a prisão cautelar de Alejandro Triana Prevez. Segundo a magistrada, a medida é necessária para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.
Execução dentro de casa
As investigações apontam que Alejandro entrou na residência de Brent usando chaves que teriam sido fornecidas por Daniel Sikkema. O crime ocorreu enquanto a vítima dormia.
De acordo com o processo, Brent foi atingido com 18 facadas dentro da própria casa. Alejandro havia trabalhado anteriormente como segurança na residência do casal em Havana, Cuba, quando Daniel e Brent ainda estavam juntos.
Ainda segundo os autos, o cubano morava havia cerca de um ano no Brasil no momento do assassinato.
O Ministério Público sustenta que Daniel forneceu toda a estrutura necessária para a execução do crime, incluindo dinheiro para despesas, informações sobre a rotina do galerista e detalhes sobre a residência onde o assassinato ocorreu.
Disputa após separação
As investigações indicam que o assassinato teria sido motivado por disputas envolvendo a divisão de bens e a guarda do filho do ex-casal após o divórcio, descrito nos autos como conturbado.
Daniel e Brent Sikkema ficaram casados por aproximadamente dez anos e tiveram um filho juntos. Segundo as apurações, os conflitos entre os dois teriam se intensificado após o fim do relacionamento.
Com a condenação nos Estados Unidos e a decisão de levar os acusados a júri popular no Brasil, o caso avança simultaneamente nos dois países enquanto as autoridades aprofundam os desdobramentos do assassinato que teve repercussão internacional.






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