Casa de R$ 25 milhões usada para lavar dinheiro do CV escondia fuzis, cofres e até quadro de Tarsila

Jonnathan Ianovich, suspeito de lavar dinheiro para o Comando Vermelho, foi preso em São Paulo

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação que revelou um verdadeiro império montado por Jonnathan Ianovich, suspeito de lavar dinheiro para o Comando Vermelho (CV). Ele foi preso em São Paulo, mas o que mais chamou atenção foi a mansão de 1.300 m² no condomínio de luxo Novo Leblon, na Barra da Tijuca, avaliada em R$ 25 milhões.

No interior da residência, os investigadores encontraram uma série de elementos dignos de filme: um elevador interno, espaço gourmet com área para festas, piscina e até uma boate com isolamento de sinal de celular — medida que, segundo a polícia, indica tentativa de evitar escutas. Em um armário escondido por espelhos, dezenas de cofres guardavam fuzis, pistolas e US$ 18 mil em espécie.

A investigação aponta que Ianovich atuava com um método próprio de lavagem de dinheiro. Ele comprava imóveis em nome de laranjas, revendia por valores menores e depois transferia para os nomes dos filhos. Um dos indícios mais curiosos veio da análise de depósitos: as cédulas, muitas recusadas pela máquina, estavam mofadas e sujas, sugerindo que o dinheiro teria sido enterrado, prática comum entre traficantes.

Outro ponto que chamou atenção foi a ligação de Ianovich com Geneviève Boghici, viúva do marchand Jean Boghici. Entre abril e maio de 2021, ela transferiu mais de R$ 18 milhões para o suspeito. Ianovich alegou que seria uma comissão por intermediar a venda de uma obra de arte de R$ 180 milhões, mas nunca apresentou documentação ao Coaf.

O caso se entrelaça com o escândalo da herdeira Sabine Boghici, acusada de extorquir e roubar quadros da própria mãe, causando um prejuízo de R$ 725 milhões. Um dos quadros recuperados é de Tarsila do Amaral, apreendido na Operação Sol Poente.

Nesta quinta-feira (15), dois caminhões chegaram à Cidade da Polícia trazendo um novo lote de apreensões: cerca de 200 armas, 40 mil munições e três carros de luxo, incluindo um Cadillac importado por mais de R$ 2 milhões. Todo o material estava com Eduardo Bazzana, outro alvo da operação, dono de um clube de tiros e apontado como fornecedor de armamento para o CV.

A investigação segue em curso, com novos desdobramentos esperados nos próximos dias.

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