Casa Branca vê Pix, regulação de redes sociais e tarifas como barreiras comerciais impostas pelo Brasil

Relatório aponta barreiras comerciais e cita risco de medidas contra produtos brasileiros

Um relatório recente do escritório de representação comercial da Casa Branca (USTR) aponta uma série de medidas adotadas pelo Brasil como entraves aos interesses econômicos dos Estados Unidos. Segundo a CNN Brasil, o documento inclui críticas ao sistema de pagamentos Pix, à regulação de plataformas digitais e à tributação de importações conhecida como “taxa das blusinhas”.

O capítulo dedicado ao Brasil ocupa oito páginas do relatório e reforça pontos já analisados na investigação conduzida sob a Seção 301, que apura possíveis práticas comerciais consideradas prejudiciais aos EUA. A apuração está em fase final e pode resultar na aplicação de tarifas específicas contra produtos brasileiros.

Críticas a impostos e comércio exterior

Entre as principais críticas, o USTR menciona a cobrança de tributos sobre encomendas internacionais. “O governo brasileiro impõe uma taxa linear de 60% para todas as encomendas expressas importadas pelo processo de Desembaraço Aduaneiro Simplificado”, afirma o documento. O relatório também cita limites anuais de importação e exportação e restrições operacionais impostas pela Receita Federal.

Outro ponto de tensão envolve o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado e operado pelo Banco Central. O relatório destaca que o órgão “criou, detém, opera e regula” a plataforma, e afirma que empresas americanas manifestaram preocupação com um possível tratamento preferencial ao sistema, o que poderia prejudicar concorrentes internacionais no setor de pagamentos digitais.

Regulação digital e impacto sobre empresas

A regulação das plataformas digitais também entrou na lista de críticas. O documento cita o Projeto de Lei 4.675, enviado pelo governo brasileiro ao Congresso em 2025, que amplia os poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A proposta prevê regras mais rígidas para grandes empresas de tecnologia, classificadas como agentes de “relevância sistêmica”.

Segundo o USTR, essas companhias poderiam ser submetidas a obrigações prévias, como restrições a determinadas práticas comerciais e exigências de interoperabilidade. O órgão americano avalia que empresas dos Estados Unidos podem ser “desproporcionalmente” impactadas, com possibilidade de multas que chegam a até 20% do faturamento global.

Tarifas elevadas e insegurança comercial

Além disso, o relatório critica o nível geral de tarifas aplicadas pelo Brasil. Em 2024, a média foi de 12,5% para bens industriais e 9% para produtos agrícolas, patamar considerado elevado pelos EUA. Setores como automóveis, eletrônicos, químicos e têxteis estão entre os mais afetados.

O documento também aponta inconsistências entre as tarifas registradas na Organização Mundial do Comércio e aquelas efetivamente praticadas pelo Brasil, o que, segundo o USTR, gera insegurança para exportadores americanos.

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