Carlos Bolsonaro vence racha da direita e é eleito senador por Santa Catarina

Vereador por mais de duas décadas no Rio, filho de Jair Bolsonaro migrou para Santa Catarina em 2025 e venceu uma disputa marcada por divisões na direita local

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Carlos Bolsonaro (PL) foi eleito senador por Santa Catarina neste domingo (4), garantindo um mandato de oito anos. A vitória consolida a estratégia do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro de transferir seu domicílio eleitoral para o estado e disputar uma das vagas ao Senado, mesmo diante da resistência de parte das lideranças da direita catarinense.

A eleição também reforça a presença da família Bolsonaro na bancada do estado. Carlos terá como colega de partido no Senado Jorge Seif (PL), que possui mandato até 2031. O resultado ocorre em meio a uma disputa que expôs divergências entre grupos do bolsonarismo em Santa Catarina.

Mudança para Santa Catarina

Natural do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro foi eleito vereador da capital fluminense pela primeira vez em 2000, aos 17 anos. Ao longo de mais de duas décadas, acumulou mandatos consecutivos e votações expressivas na Câmara Municipal do Rio.

Em outubro de 2025, porém, deixou o Rio e se mudou para Santa Catarina para viabilizar a candidatura ao Senado. A escolha do estado partiu do próprio Carlos. Sem espaço para uma candidatura majoritária no Rio, onde o PL já havia definido seus nomes, ele indicou Santa Catarina como alternativa e recebeu o aval do pai.

A estratégia levou em consideração a força eleitoral do bolsonarismo no estado. Desde 2018, Santa Catarina se consolidou como um dos principais redutos eleitorais de Jair Bolsonaro, além de manter uma bancada federal majoritariamente alinhada à direita.

Candidatura provocou divisão no PL

A entrada de Carlos, no entanto, provocou um racha entre aliados. A definição da candidatura afetou os planos de lideranças que já articulavam a disputa pelo Senado e abriu uma crise dentro da direita catarinense.

O PL acabou formando uma chapa pura com Carlos e Carol De Toni. A decisão desagradou Esperidião Amin, que se sentiu colocado de lado, manteve a candidatura à reeleição e migrou para a coligação de João Rodrigues (PSD). Com isso, levou também o apoio do PP ao grupo adversário do governador Jorginho Mello (PL).

Mello chegou à eleição com oito partidos coligados em torno de sua candidatura ao governo estadual. A aliança, porém, não se transformou em uma estrutura eleitoral equivalente para Carlos Bolsonaro. Parte dos aliados não aderiu à campanha do candidato ao Senado, evidenciando a divisão provocada pela escolha do PL.

Sobrenome prevaleceu nas urnas

Diante do conflito, o diretório estadual do PL buscou reduzir a exposição pública da crise e preservar a estratégia eleitoral. A prioridade era evitar a dispersão dos votos entre os candidatos da direita e concentrar o eleitorado bolsonarista nas duas candidaturas do partido.

A vitória de Carlos Bolsonaro demonstra que, apesar das divisões internas, o peso político do sobrenome Bolsonaro permaneceu decisivo em Santa Catarina. A eleição transforma o ex-vereador carioca em senador e amplia a representação da família no Congresso Nacional.

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