Carlos Bolsonaro (PL) anunciou nesta quinta-feira (11) sua renúncia ao mandato na Câmara do Rio. O comunicado foi feito no expediente inicial da sessão, antes da abertura dos trabalhos. O vereador afirmou que deixará a Casa para cumprir “uma missão maior”, referindo-se à mudança para Santa Catarina, onde pretende iniciar a preparação de sua pré-campanha ao Senado em 2026.
Carlos abriu o discurso agradecendo aos colegas do Legislativo e principalmente ao presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD), e aos companheiros da bancada do PL. Ele também mencionou projetos aprovados ao longo do mandato e afirmou que encerra o ciclo “com gratidão” ao eleitorado carioca. “Parto desta cidade com o coração cheio de saudade, mas com a serenidade de quem sabe que está atendendo a uma missão maior da qual sempre fiz parte”, disse.
O vereador declarou que fixará residência no município catarinense de São José, para dar início às articulações políticas no estado. A mudança já vinha sendo discutida nos bastidores desde outubro.
“Vou para Santa Catarina para cumprir um chamado que não poderia realizar aqui, pois fiz uma escolha guiada por meu coração. Não é uma fuga, é a continuidade de uma luta, a mesma por liberdade, família e soberania, principalmente num momento tão conturbado do país”, continuou.
Carlos Bolsonaro recebeu elogios e aplausos de colegas no plenário
O tom combativo habitual deu lugar a um clima de afagos na despedida. Caiado, que foi elogiado por Bolsonaro, fez um discurso longo e adotou um tom pessoal ao se referir ao vereador como “amigo”, destacando a convivência de mais de duas décadas entre os dois.
“É muito triste termos a sua despedida, mas estou feliz porque você tomou a decisão que acha certa para sua vida pública. Ficamos tristes porque criamos uma relação de muitos anos, de amizade, carinho e parceria. Muito obrigado por todo o legado que deixou neste parlamento, não apenas como presidente da Câmara, mas como um amigo seu”, disse Carlo Caiado a Carlos Bolsonaro.
“Muitos, até fora desta Casa, me perguntam como é o Carlos Bolsonaro, e eu sempre respondo que é um cara legal, sincero, direto, homem, leal, amigo e que respeita a posição de cada um”, completou o presidente da Casa.
A despedida foi aplaudida por colegas de parlamento, incluindo Paulo Messina (PL), Rogério Amorim (PL), Rafael Satiê (PL), Zico (PSD) e Willian Coelho (DC), que também elogiaram a trajetória do colega. A veterana Rosa Fernandes (PSD) foi ao microfone e falou em nome de todos, com aval da Mesa Diretora.

Defesa de Jair Bolsonaro
Em outro trecho, Carlos citou o pai, Jair Bolsonaro, preso na sede da Polícia Federal desde o fim do mês passado sob acusação de tentativa de golpe de Estado. Com a voz embargada, classificou o processo como “injusto” e voltou a defender a inocência do pai.
“Bolsonaro está preso, mas não está derrotado, porque derrotado é quem abandona seus princípios. E isso ele não fez e jamais fará. A verdade encontrará caminhos, e a Justiça cedo ou tarde abrirá a porta que querem manter fechada”.
Durante a fala, aproveitou para elogiar o voto do ministro Luiz Fux pela absolvição do ex-mandatário no julgamento que tratou do caso. “Expôs erros que precisavam ser revistos. Deixou claro que não há provas suficientes para sustentar a tese de tentativa de golpe”, disse Carlos, reiterando que o pai não cometeu os crimes dos quais é acusado.






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