O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) protagonizou neste domingo (22) um novo capítulo da crise interna no Partido Liberal ao rebater declarações do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. A divergência gira em torno de quem tem autoridade para indicar candidatos às eleições de outubro.
A tensão começou após Valdemar afirmar que todos os integrantes do partido têm o direito de sugerir e indicar nomes para disputar cargos eletivos, e não apenas o ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi interpretada como um contraponto direto à estratégia defendida pelo núcleo bolsonarista.
No sábado (21), Carlos afirmou que o pai está organizando uma lista de pré-candidatos ao Senado e aos governos estaduais que devem receber apoio formal do PL. Segundo ele, a orientação partiu do próprio ex-presidente, e não foi uma iniciativa pessoal.
Racha exposto nas redes sociais
Em publicação na rede X (antigo Twitter), Carlos Bolsonaro reforçou que apenas transmitiu uma decisão de Jair Bolsonaro. “A fala não foi minha, foi do presidente Jair Bolsonaro”, escreveu, destacando que o combinado era que o ex-presidente apresentaria uma relação de nomes a serem apoiados.
O vereador também insinuou que o partido estaria isolando Bolsonaro politicamente. Ele classificou a situação como “cada dia mais estranha” e mencionou que o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses na Papudinha.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Valdemar afirmou que existe entendimento interno de que não há qualquer proibição para que filiados apresentem sugestões de candidaturas. “Todos no partido têm o direito de sugerir, indicar nomes para qualquer posição”, declarou o dirigente, reforçando a tese de que as decisões devem ser coletivas.
Disputa em Santa Catarina amplia tensão
O embate interno tem como pano de fundo uma articulação política em Santa Catarina. Um dos movimentos aguardados é o apoio de Bolsonaro à deputada Caroline de Toni (PL-SC) ao Senado, compondo uma possível “chapa pura” ao lado de Carlos Bolsonaro.
A estratégia contraria um acordo citado entre Valdemar e o presidente do PP, Ciro Nogueira, para apoiar a reeleição de Esperidião Amin (PP-SC) à segunda vaga ao Senado, deixando a primeira para Carlos.
De acordo com informações de bastidores, além de Jair Bolsonaro, o governador Jorginho Mello (PL) e Michelle Bolsonaro também apoiam a candidatura de Caroline de Toni, ampliando o impasse sobre quem define alianças e palanques do partido para 2026.
Ataques internos e troca de acusações
Mais cedo, Carlos Bolsonaro voltou a criticar setores do próprio partido, afirmando que o PL estaria “organizado” para atacar diretamente os filhos do ex-presidente. A declaração foi uma reação a falas do vereador Pablo Almeida, ex-assessor de Nikolas Ferreira, que divulgou um vídeo de Eduardo Bolsonaro em meio à disputa interna.
Na postagem, Carlos afirmou que o partido estaria promovendo ataques não apenas nas redes sociais, mas em outros espaços, e defendeu que a situação seja corrigida de forma “séria e direta”.
O vídeo citado inclui uma fala de Eduardo Bolsonaro sobre a situação do pai, o que provocou reação de aliados. O deputado Mario Frias acusou oportunismo e criticou duramente a divulgação do conteúdo, aprofundando o clima de divisão dentro da legenda.






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