Candidatos do concurso da PM questionam deputados e governo por anulação das provas

O cancelamento de uma das etapas do concurso da Polícia Militar por suspeita de fraudes, no fim do mês passado, foi motivo de uma audiência na Comissão de Segurança Pública e Assuntos da Polícia, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta segunda-feira (11/09), no Centro do Rio. Alguns dos candidatos presentes no encontro criticaram e…

O cancelamento de uma das etapas do concurso da Polícia Militar por suspeita de fraudes, no fim do mês passado, foi motivo de uma audiência na Comissão de Segurança Pública e Assuntos da Polícia, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta segunda-feira (11/09), no Centro do Rio. Alguns dos candidatos presentes no encontro criticaram e se mostraram irritados com a medida anunciada pelo governador Cláudio Castro, no último dia 31, e com os parlamentares que também defenderam a anulação.  

O concurso, que ofereceu duas mil vagas, reuniu 119 mil inscritos. Um deles é o jornalista Natã Campos. Ele argumentou que a anulação da prova foi uma “decisão precipitada” que pode prejudicar aqueles que fizeram o exame de forma honesta. Ele chegou a insinuar que “alguns deputados” estariam se promovendo apenas “para buscar votos”.

“Existem meios cientificamente comprovados para determinar quem são os responsáveis por fraudes, que nós acreditamos ser pontuais e não generalizadas. Nós acreditamos que é perfeitamente possível que tenha havido manipulação dessas imagens que indicariam fraude na aplicação da prova. Nós vivemos a era das fake News. Qual o objetivo de um deputado com isso? Quer buscar votos. Ano que vem temos eleições”, disparou.

O deputado Giovani Ratinho (Solidariedade) retrucou, dizendo que não é candidato nas eleições de 2024 e revelou que teve parentes que também prestaram o concurso. “Não preciso disso”. O deputado Filippe Poubel (PL), integrante da Comissão de Segurança Pública, também ponderou que a validação da prova objetiva, estando sob suspeita de fraude, pode prejudicar justamente os candidatos que participaram de forma honesta.

“Também não preciso me promover. Fui reeleito em 2022 com quatro vezes mais votos. Agora, muitos podem perder a vaga para aqueles que fraudaram a prova. A solução é punir os malfeitores, assim teremos um concurso com lisura”, defendeu. “Nós vamos trabalhar em cima do que foi investigado e eu tenho cobrado celeridade nas investigações”, salientou.

O presidente da comissão, deputado Márcio Gualberto (PL), também procurou contemporizar e amenizar o clima. Ele informou que vai articular uma reunião com o governador Cláudio Castro e os representantes dos candidatos do concurso.

“Existem aproximadamente 255 denúncias só no Ministério Público e sabemos das investigações no âmbito da Polícia Civil. Se o governador perceber, diante dessas investigações, que a decisão foi em algum nível precipitada, ele pode rever esse ato. É isso que estamos esperando: ou que ele reveja ou que mantenha, de acordo com as apurações em curso. Nós saímos dessa audiência muito bem-informados, com elementos que nós ainda não tínhamos”, frisou.

Entenda o caso

No dia 27 de agosto, foi realizada a primeira etapa do concurso público da Polícia Militar de 2023, com a aplicação da prova em 121 locais. No mesmo dia, a Polícia Militar deflagrou uma operação contra fraude que prendeu 19 pessoas. A situação também está sendo investigada pela Polícia Civil do Estado do Rio, e o governo do Rio abriu uma sindicância e um processo administrativo para apurar as falhas durante a realização da prova.

O custo do concurso está orçado em R$ 5,7 milhões e, até o momento, não existem informações sobre a nova data de aplicação da prova objetiva. “Estamos analisando internamente os próximos passos”, disse a tenente-coronel Carla Martins, do Departamento de Recrutamento e Seleção de Pessoal da PM. “Nós vamos garantir o máximo de transparência e justiça para que todos tenham as mesmas chances”, completou a policial.

O Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento Executivo (Ibade), responsável pela organização do concurso, informou que a banca realizadora do exame eliminou 160 candidatos, sendo 130 deles por uso indevido de aparelhos eletrônicos. O instituto encaminhou uma nota à comissão da Alerj afirmando que os casos foram isolados e não impactaram o resultado do exame, sendo favorável à continuação do certame.

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