Pré-candidato a prefeitura do Rio nas eleições deste ano e um dos principais críticos da gestão municipal, o deputado Rodrigo Amorim (PTB) minimizou o encontro entre o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o prefeito Eduardo Paes, na quinta-feira (07/03), no Palácio Tiradentes. A reunião agitou o meio político e abriu a temporada de especulações sobre possíveis alianças envolvendo o União Brasil e o PSD para o pleito de outubro e, até mesmo, para o de 2026.
Amorim seria a aposta de Bacellar nessa empreitada municipal, e até segunda ordem isso não se alteraria. Já Eduardo Paes tentará seu quarto mandato. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, inclusive, revelou a Agenda do Poder que bateu o martelo e decidiu ingressar no União Brasil para a disputa. Ele aproveitará a janela partidária, que teve início no dia 07 e vai até 05 de abril, para fazer a mudança.
A regra, na verdade, vale apenas para candidatos eleitos em pleitos proporcionais e que estejam em fim de mandato. Mas como o PTB não atingiu a cláusula de barreira em 2022, ele poderá fazer a mudança sem sofrer sanções da Justiça Eleitoral.
Amorim desembarcará no União Brasil junto com o aliado ainda este mês. Será uma mera formalidade, pois o presidente da Alerj já vinha dando as cartas internamente. De qualquer maneira, Bacellar deixa o PL e assume o comando da nova legenda no estado com status de quase primeiro-ministro.
“O deputado Rodrigo Bacellar é chefe de poder e tem a missão de dialogar com qualquer prefeito do nosso estado, sobretudo o da Capital. Sou aliado de Bacellar e confio plenamente na sua liderança à frente do União Brasil para conduzir um projeto político para o Rio de Janeiro”, assegurou.
O convite para trocar de partido já havia sido feito por Bacellar no ano passado. A dúvida inicial passava por uma possível transferência para o próprio PL – Amorim também foi convidado pelo presidente do diretório estadual, o deputado federal Altineu Côrtes, a ingressar na legenda. Na ocasião, Filippe Poubel (PL) anunciou a novidade no plenário da Alerj e deu boas-vindas ao companheiro. Mas não vingou.
“Me orgulho em ser um dos seus principais aliados do presidente Bacellar aqui na Casa e na política. Tem feito um grande trabalho e é uma figura de força política no estado. Está liderando o União Brasil, um partido de expressão nacional que, cada vez mais, cristaliza sua pauta como um partido de centro-direita. Então isso me deixa confortável do ponto de vista ideológico. Na verdade, isso é um retorno. Eu me elegi pelo PSL, cuja fusão com o DEM, gerou o União Brasil”, lembra.
Encontro com Paes
Rodrigo Amorim revela que já tinha conhecimento do encontro entre Bacellar e Eduardo Paes. Num almoço com o presidente da Alerj, na última segunda-feira (04/03), ele foi comunicado da reunião no Palácio Tiradentes. Sem papas na língua, sustenta suas críticas ao prefeito do Rio e fala de peito aberto que confia no chefe do Legislativo fluminense.
“Tenho profundas críticas ao prefeito Eduardo Paes, que vão desde o endividamento irresponsável que vem submetendo o Rio, a incompetência na gestão do transporte público, da educação, do abandono da cidade e, sobretudo, da desordem urbana. Tudo isso, além da falta de palavra, me fazem ser adversário declarado de Eduardo Paes”, alfineta. E completa:
“O presidente é um líder político muito maior que Paes. Tem a coragem e habilidade para desafios muitos maiores e está ciente de todo o contexto que envolve o egocêntrico projeto de poder de Paes e seu pequeno grupo”.
Na leitura política de Amorim, a estratégia do prefeito do Rio é se reeleger para montar uma base política que lhe dê condições de disputar o Governo do Estado em 2026, quando ocorrem as eleições gerais no país. Para isso, garante, tenta se aproximar de Rodrigo Bacellar.
“Paes não vai terminar o mandato se for reeleito. Sairá para se candidatar a governador, que sempre foi seu sonho. Hoje, Bacellar é figura central nas eleições municipais, podendo interferir diretamente para uma vitória de Paes ou mesmo para lhe impor outra derrota acachapante”, concluiu.





