Câncer de pênis causa 2,9 mil amputações em 5 anos no Brasil

Dados da Sociedade Brasileira de Urologia revelam ainda 2.359 mortes no período e reforçam alerta para prevenção, diagnóstico precoce e vacinação contra HPV.

Um estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) nesta terça-feira aponta que o Brasil registrou 2.949 amputações parciais ou totais do pênis causadas por câncer nos últimos cinco anos. Os números acendem um alerta sobre uma doença que, apesar de prevenível, ainda provoca consequências graves no país.

As informações foram extraídas do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e consideram o período entre janeiro de 2021 e novembro de 2025. Além das cirurgias mutiladoras, o levantamento contabiliza 2.359 mortes associadas à doença.

Segundo a SBU, neste mês está sendo promovida uma campanha nacional de conscientização para informar a população sobre sinais precoces do câncer de pênis e reforçar medidas de prevenção que podem evitar a progressão da doença.

Doença evitável, impacto ainda alto

De acordo com Roni de Carvalho Fernandes, presidente da entidade, o câncer de pênis é amplamente prevenível, mas continua gerando mutilações evitáveis, sobretudo por desconhecimento, estigma e busca tardia por atendimento médico. Ele lembra que se trata de um tumor raro em países desenvolvidos, mas ainda com incidência relevante no Brasil.

O dirigente destaca que as regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices da doença, o que reflete desigualdades no acesso à informação e aos serviços de saúde. Esse cenário contribui para que muitos casos sejam diagnosticados apenas em estágios avançados.

Entre as principais causas está a infecção pelo HPV. Por isso, a vacinação é apontada como uma das estratégias mais eficazes de prevenção, disponível no Programa Nacional de Imunizações para meninos e meninas de 9 a 14 anos e para pessoas imunossuprimidas até os 45 anos, além de ações de resgate vacinal para jovens que perderam o prazo.

Prevenção vai além da vacina

Além da proteção contra o HPV, especialistas reforçam a importância do uso de preservativo, da higiene íntima adequada e da realização de postectomia, conhecida como circuncisão, quando há indicação médica, especialmente em casos de fimose.

A SBU orienta que a limpeza diária do pênis seja feita com água e sabão, puxando o prepúcio para remover o esmegma, uma secreção esbranquiçada que pode se acumular na região, inclusive após relações sexuais. Esses cuidados simples reduzem significativamente o risco da doença.

Para os médicos, a combinação de vacinação, hábitos de higiene e acompanhamento de eventuais alterações no órgão genital é fundamental para diminuir a incidência e, principalmente, evitar diagnósticos tardios.

Detecção precoce aumenta chance de cura

Quando identificado no início, enquanto as células cancerígenas ainda estão restritas à superfície do pênis, o câncer tem altas taxas de cura. Nesses casos, é possível recorrer a tratamentos conservadores, preservando as funções urinária e sexual.

Rui Mascarenhas, supervisor da área de câncer de pênis da SBU, explica que o problema surge quando o paciente demora a procurar ajuda. Em situações avançadas, a amputação parcial ou total pode se tornar a única alternativa terapêutica disponível.

Para a entidade, o tabu e o preconceito em torno do tema ainda afastam muitos homens dos consultórios, contribuindo para que o diagnóstico seja feito apenas após meses ou anos de evolução da doença.

Sintomas que merecem atenção

A SBU informa que o câncer de pênis é mais comum em homens com 50 anos ou mais. Entre os sinais iniciais mais frequentes estão feridas que não cicatrizam, sangramento sob o prepúcio, secreção com odor forte e alterações na cor ou na textura da pele da glande.

Também podem surgir nódulos na região da virilha, indicando possível comprometimento dos gânglios linfáticos. Em fases iniciais, a doença pode se manifestar como uma área avermelhada persistente, uma ferida que não desaparece ou uma lesão semelhante a verruga que cresce com o tempo.

Nessas situações, a orientação é procurar avaliação de um urologista o quanto antes, já que a rapidez no diagnóstico faz diferença direta nas chances de cura e na preservação do órgão.

Tratamento varia conforme o estágio

O tratamento pode incluir biópsias, retirada das lesões e uso de medicamentos tópicos em casos selecionados. Em quadros mais avançados, podem ser necessárias cirurgias de maior porte, além de procedimentos nos gânglios da virilha.

Dependendo da extensão da doença, também podem ser indicadas quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia. A escolha da abordagem depende do estágio do tumor e das condições clínicas do paciente.

Os especialistas reforçam que quanto mais cedo o câncer é identificado, menos agressivo tende a ser o tratamento e melhores são os resultados funcionais e oncológicos.

Desigualdade regional pesa nos óbitos

O levantamento mostra que as mortes por câncer de pênis ocorrem proporcionalmente mais nas regiões Norte e Nordeste. Para a SBU, um dos principais fatores é a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e ao diagnóstico especializado.

Embora muitos casos iniciais sejam passíveis de tratamento e cura, a demora para procurar atendimento ou para conseguir consulta e exames pode levar a quadros avançados, associados a maior risco de morte pela doença.

A entidade defende que ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde é essencial para reduzir tanto as amputações quanto os óbitos relacionados ao câncer de pênis no país.

Fatores de risco que aumentam a chance da doença

Entre os principais fatores de risco apontados pela SBU estão condições socioeconômicas desfavoráveis, higiene íntima inadequada, presença de fimose, infecção pelo HPV e tabagismo.

Os médicos alertam que nenhuma ferida no pênis deve ser ignorada ou tratada apenas com soluções caseiras. Dor, secreção, mau cheiro, mudanças na cor ou na espessura da pele e dificuldade de expor a glande são sinais que exigem avaliação médica imediata.

Segundo a entidade, quanto mais cedo o homem procurar atendimento, maiores são as chances de cura e de preservação do órgão, evitando consequências graves e muitas vezes irreversíveis.

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