O PIX pode passar a ter em breve a modalidade crédito e servir como alternativa contra os altos juros do parcelamento no cartão de crédito. A alternativa foi levantada hoje (11) pelo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. Ele disse que a instituição continua estudando novas funcionalidades para o sistema de transferência de recursos em tempo real, PIX, e avaliou que isso poderá ser, no futuro, uma alternativa ao cartão de crédito.
A declaração foi dada um dia após ele ter informado que o BC avalia alternativas para reduzir a inadimplência nas operações com cartão de crédito rotativo – que ocorre quando o cliente não paga o valor total da fatura e joga a dívida para o mês seguinte. Entre elas, estaria o fim do rotativo nos cartões e o parcelamento do saldo devedor com juro menor.
Ainda não há informações detalhadas sobre como funcionaria o PIX na modalidade de crédito, pois o produto ainda não foi oficialmente lançado. A ideia é autorizar os bancos a oferecerem empréstimos por meio dessa ferramenta – inclusive com parcelamento (como ocorre atualmente com o cartão de crédito).
Sobre o fim do crédito rotativo do cartão de crédito, Campos Neto afirmou que tomou um “puxão de orelha” por ter antecipado os estudos sobre o assunto. Ele não informou, porém, quem o repreendeu. Lembrou apenas que o tema é tratado em conjunto com o Ministério da Fazenda, com associações do mercado financeiro e bancos.
O presidente do BC observou que houve um aumento em um “período muito rápido” na concessão de novos cartões de crédito, com o número de cartões em circulação saltando de pouco mais de 100 milhões de unidades para 215 milhões.
Campos Neto disse que as taxas de juros do rotativo do cartão de crédito chegam a 800% ao ano para “novos entrantes”, ou seja, para pessoas que buscam a modalidade e não tem relacionamento prévio com a instituição financeira.
“O problema foi gerado por uma concessão grande de cartões, por um tema que tem um parcelamento sem juros que, aparentemente não tem custo, mas obviamente alguém paga o custo no fim”, disse ele.
O presidente do BC disse que é preciso encontrar um equilíbrio no cartão de crédito, ou as vendas parceladas, que respondem atualmente por 40% do total no país, podem cair no futuro.
Com informações do G1.





