Campeão de pôquer internacional, bicheiro e ligação com matadores; entenda quem é Marcelo Cupim

Empresário carioca ganhou prêmios internacionais de pôquer e tem acusações criminais que vão de lavagem de dinheiro a assassinatos encomendados

Marcelo Simões Mesqueu, de 58 anos, mais conhecido como Marcelo Cupim ou apenas Marcelinho, voltou a ser preso nesta segunda-feira (30), acusado de mandar matar Haylton Escafura, herdeiro do bicheiro Piruinha, e a soldado PM Franciene de Souza, em 2017. Nome conhecido nos bastidores da contravenção carioca e figura de destaque no circuito nacional e internacional de pôquer, Marcelo é apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como um dos principais integrantes da cúpula atual do jogo do bicho.

Marcelo construiu uma imagem pública de sucesso no universo do pôquer, com títulos acumulados em torneios nacionais e internacionais, uma rotina de viagens e ostentação registrada nas redes sociais. Longe da visibilidade das redes, ele também coleciona acusações no banco de réus. 

Campeão de pôquer

  • Marcelo é reconhecido no circuito brasileiro e internacional de pôquer com participações em campeonatos de prestígio como EPT Monte Carlo e KSOP. O bicheiro tem um perfil ativo nas redes sociais, onde acumula quase 10 mil seguidores. Nas redes, ele publica fotos de troféus, bastidores e da vida pessoal, como viagens e fotos com a família.
Ele é campeão de diversos campeonatos internacionais de pôquer I Crédito: Reprodução

Crimes cometidos

  • Além do prestígio nas mesas de pôquer, Marcelo tem o nome mencionado em crimes graves. Ele é acusado de chefiar  organização criminosa, por lavagem de dinheiro proveniente da contravenção. Ele também é acusado por corrupção ativa e passiva, exploração ilegal do jogo do bicho e homicídio duplamente qualificado
  • Em 2022 foi alvo da Operação Fim da Linha, do MPRJ, junto com Bernardo Bello. Já em novembro de 2023, foi preso pela Polícia Federal após denúncia e monitoramento, ao deixar a filha na escola
  • Desde julho de 2024 estava em prisão cautelar com tornozeleira eletrônica e restrição de viagens. Na última segunda (30), foi preso novamente na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, acusado de ser mandante de duplo homicídio ocorrido em 2017, que matou Haylton Carlos Gomes Escafura, filho do bicheiro Piruinha e Franciene de Souza, soldado da Polícia Militar e namorada de Haylton. Segundo os investigadores, o crime foi encomendado ao grupo de matadores conhecido como Escritório do Crime. 

Escritório do Crime

  • O crime ocorreu na madrugada de 14 de junho de 2017, quando o casal estava hospedado em uma suíte do Hotel Transamérica, na Barra da Tijuca. Dois homens encapuzados arrombaram a porta com chutes e tiros, e utilizaram armas de três calibres diferentes, incluindo fuzil
  • Mais de 20 marcas de tiros foram encontradas na porta do quarto. Os criminosos chegaram pelo estacionamento e ignoraram as câmeras de segurança
  • De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, a motivação por trás do crime é a disputa territorial pelo controle de pontos do jogo do bicho na Zona Norte. Haylton, recém-libertado da prisão, estaria tentando retomar áreas dominadas por Marcelo Cupim
  • Marcelo Cupim é apontado como contratante dos matadores ligados ao grupo “Escritório do Crime”. O bando era chefiado por Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope morto em 2020. Outros nomes envolvidos são dos irmãos Leonardo e Leandro Gouvêa da Silva, presos desde 2020. Eles eram associados inicialmente às mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o que foi descartado nas investigações. A dupla responde pela morte do empresário Marcelo Diotti, assassinado no mesmo dia que a parlamentar.

Nova operação

  • A nova operação que prendeu Marcelo Cupim foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) com apoio da Delegacia de Homicídios da Capital e da Corregedoria da PM
  • Os agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio, Cabo Frio e Florianópolis. Na casa de Cupim, os promotores encontraram dinheiro, cheques e munição. Além disso, dois policiais também foram alvos da ação, o que levou à atuação da Corregedoria da corporação

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