Desde 2021, o Museu Nacional vem reunindo esforços para recompor seu acervo por meio do projeto Recompõe, criado para recuperar parte das coleções perdidas no incêndio que destruiu cerca de 85% de seu patrimônio em setembro de 2018. A iniciativa já garantiu a incorporação de mais de 14 mil peças, com apoio de doações feitas por instituições brasileiras e estrangeiras, colecionadores privados e famílias que disponibilizaram itens de valor histórico, científico ou simbólico.
Entre os objetos estão fósseis, peças etnográficas, animais taxidermizados, cerâmicas, conchas e artefatos históricos. Uma das doações mais emblemáticas é o manto tupinambá do século XVI, cedido pelo Museu Nacional da Dinamarca. O cantor Nando Reis também contribuiu com uma coleção de conchas. “Soube da coleção que eles tinham perdido, e achei que tinha todo o sentido doar para pessoas que vão fazer um uso muito melhor do que manter em casa. Dessa forma, a coleção ganha outro tipo de relevância”, afirmou o músico aos pesquisadores.
Alexander Kellner, diretor do museu, ressalta que cada peça recebida tem um papel fundamental no processo de reconstrução: “A gente sempre conversa com as pessoas sobre o que as motiva de fazer a doação. Por que elas estão doando essa peça? E geralmente está vinculado a dois pontos: o primeiro é o entendimento da necessidade da reconstrução do museu, sobretudo as instituições. Elas entendem que é importante ter o Museu Nacional de volta e, para isso, precisa ter peças originais”.
Kellner acrescenta: “O segundo [ponto] é a alegria e o prazer de poder participar da reconstrução de uma instituição do porte do Museu Nacional”.
Cerca de 1.815 itens do novo acervo já foram selecionados para integrar os circuitos de exposições que ocuparão mais de 5 mil metros quadrados dos salões do palácio reconstruído. Serão quatro núcleos temáticos: História, Ciência e Sociedade; Universo e Vida; Ambientes do Brasil; e Diversidade Cultural.
Outro destaque é a reconstrução do fóssil de Luzia, considerado o mais antigo das Américas, cuja recuperação será viabilizada com parte da doação de R$ 50 milhões feita recentemente pelo BNDES. O fóssil foi encontrado nos escombros um mês após o incêndio.
A reabertura parcial do museu, com a entrega das primeiras salas expositivas e dos jardins, está prevista para o dia 5 de junho, quando a instituição completa 207 anos. Informações sobre doações e formas de contato estão disponíveis no site oficial do projeto Recompõe.
Com informações do g1.





