A campanha da candidata presidencial democrata Kamala Harris disse nesta terça-feira ter sido alvo de hackers estrangeiros. O anúncio acontece dias após a equipe de seu rival, Donald Trump, sugerirem que o ex-presidente republicano sofreu um ataque cibernético de autoria do Irã.
— Em julho, as equipes legais e de segurança da campanha foram notificadas pelo FBI de que fomos alvos de uma operação de interferência de um ator estrangeiro — indicou à AFP um membro da equipe de Kamala. — Contamos com sólidas medidas de cibersegurança e não estamos sabendo de nenhuma violação de segurança em nossos sistemas como resultado desses esforços.
- Ao contrário dos republicanos, os responsáveis pela campanha da democrata não deram informações sobre a procedência do ataque cibernético fracassado.
O FBI confirmou estar investigando tentativas de ataques contra a campanha de ambos os candidatos. Segundo a agência, os democratas teriam se tornado alvo antes mesmo da saída do presidente Joe Biden da disputa. Três membros da equipe da chapa Biden-Harris teriam recebido e-mails phishing criados para parecerem legítimos, mas cujo objetivo era dar acesso ao invasor à caixa de entrada das vítimas, segundo informações do Washington Post.
Ainda não está claro se a tentativa de invasão aos e-mails dos membros da campanha democrata teria dado certo, mas fontes ligadas à vice-presidente disseram estar confiantes de que o ataque não teria funcionado.
Na segunda-feira, o Departamento de Estado americano advertiu o Irã sobre consequências caso interfira nas eleições após a campanha de Trump anunciar ter sido vítima de um ataque cibernético. Autoridades de inteligência dos EUA já haviam alertado no mês passado que o país persa estariam tentando minar os esforços de Trump de reconquistar a Casa Branca, o que Teerã nega.
No sábado, a equipe de Trump sugeriu que o Irã estava por trás do ataque, no qual foram extraídos documentos, incluindo pesquisas usadas para avaliar o companheiro de chapa J.D. Vance, que depois foram enviados a repórteres. No fim de semana, equipes do Washington Post, Politico e New York Time confirmaram ter recebido arquivos aparentemente autênticos da campanha republicana. A equipe pediu que os veículos não publicassem os documentos, alegando que tal ação seria “fazer o trabalho dos inimigos da América.”
Não se sabe se os documentos foram obtidos através de uma invasão hacker bem-sucedida, uma vez que a campanha não avisou da suspeita ao FBI na época.
O caso, no entanto, evoca a campanha presidencial de 2016. Na ocasião, Trump adotou um tom diferente contra sua oponente, Hillary Clinton, afirmando em uma coletiva de imprensa que esperava que a Rússia “encontrasse” os seus e-mails. O comentário foi amplamente visto como um incentivo a mais ataques cibernéticos contra a democrata.
A inteligência dos EUA concluiu que a Rússia interveio nas eleições de 2016 para apoiar Trump, que rejeitou as conclusões. Os arquivos obtidos através hacking russo foram publicados posteriormente pelo WikiLeaks.
Com informações de O Globo





