Caminhões-pipa a R$ 7 mil: moradores denunciam preços extorsivos, em meio ao caos gerado pela falta d’água no Rio

Defeito em rede de concessionária prolonga desabastecimento em 20 bairros, e transtornos se multiplicam pela cidade

A crise de desabastecimento de água no Rio de Janeiro desencadeou um aumento exorbitante nos preços cobrados por caminhões-pipa, com relatos de valores até dez vezes superiores ao normal e sem emissão de nota fiscal. A situação foi agravada por um defeito em uma válvula da concessionária Águas do Rio, prolongando a falta de água em 20 bairros, incluindo Tijuca, Flamengo e Centro.

O condomínio San Francisco Residence, na Grande Tijuca, enfrenta gastos de R$ 7 mil por caminhão-pipa, enquanto o preço regular é de R$ 700. O síndico Marcelo Crisóstomo denunciou que fornecedores admitem os preços abusivos sem nota fiscal para evitar implicações legais. “Eles não deixam esse ‘batom na cueca’ porque sabem que estão cometendo crime contra a economia popular”, afirmou.

No condomínio, moradores apelas para a água da piscina (foto) e tentam, dessa forma, suprir as necessidades mais básicas.

Restaurante tem prejuízo diário de R$ 5 mil

A falta d’água afeta desde moradores a hospitais e instituições de ensino. No restaurante Costelas, na Praça da Bandeira, o proprietário Rodrigo Mendes relatou prejuízo diário de R$ 5 mil devido à necessidade de comprar galões de água para manter o funcionamento. A publicitária Uli Almeida, moradora do Flamengo, optou por se refugiar na casa da mãe, em Belford Roxo, para evitar a “agonia da secura”.

Diante da situação, o prefeito Eduardo Paes cobrou explicações nas redes sociais. “O que não dá para aceitar é que, passadas as 24 horas dessa manutenção, o abastecimento ainda não tenha sido normalizado”, criticou. O Procon Carioca notificou a Águas do Rio, e a Agenersa abriu processo regulatório para apurar falhas das concessionárias.

A Águas do Rio justificou o problema como consequência de uma válvula travada durante a retomada do abastecimento do Sistema Guandu, recomendando uso restrito de água de cisternas. Já a Associação das Empresas de Transporte de Água Potável condenou práticas abusivas, e a Secretaria de Defesa do Consumidor investiga os preços extorsivos cobrados pelos caminhões-pipa.

Com informações de O Globo

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