Câmara e Senado afirmam em reunião no STF que não têm como identificar autores de emendas de comissão, que chegam a R$ 15 bilhões

Representantes da Câmara afirmaram não que existe a figura do ‘patrocinador’ das emendas de comissão (RP8), e por isso não é possível identificá-los

Em reunião realizada nesta terça-feira (6), no Supremo Tribunal Federal (STF), para detalhar o cumprimento da decisão do ministro Flávio Dino, que determinou que as emendas de comissão e os restos a pagar das emendas de relator só podem ser pagos pelo Poder Executivo quando houver “total transparência e rastreabilidade” dos recursos, representantes da Câmara e do Senado afirmaram que não conseguem identificar os autores das emendas de comissão, instrumento que passou a ser mais utilizado com o fim das emendas de relator, que compunham o chamado orçamento secreto.

Os representantes da Câmara afirmaram não que existe a figura do “patrocinador” das emendas de comissão (RP8), e por isso não é possível identificá-los.

“Em relação à RP8, as informações estão disponíveis e atendem o procedimento do regimento, mas a figura do patrocinador não existe no Congresso, de modo que o Congresso não tem como colaborar”, diz a ata do encontro.

Em seguida, os representantes do Senado afirmaram que endossavam a manifestação da Câmara. Eles também alegaram que as emendas de comissão não estão no escopo original da ação na qual Dino tomou a decisão.

O valor das emendas de comissão, que não chegavam a R$ 1 bilhão até 2022, saltaram para R$ 7 bilhões em 2023 e R$ 15 bilhões neste ano. Como o jornal mostrou, esses recursos continuam sendo repassados de forma desigual pelo país.

Na semana passada, durante audiência de conciliação, o ministro do STF afirmou que é preciso esclarecer se as características do orçamento secreto não podem ser aplicadas em outros mecanismos, como as emendas de relator.

— A razão de decidir no Supremo é que qualquer modalidade de orçamento secreto fica banida — afirmou Dino. — Não basta mudar o número para mudar a essência. Se não é possível uma execução privada de recursos públicos com opacidade sob a modalidade de RP-9 do mesmo modo isto está vedado sobre qualquer outra classificação.

Com informações do O Globo.  

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