A Câmara do Rio vai reforçar as medidas de segurança para proteger a vereadora Thais Ferreira (PSOL), que tem sido alvo constante de ameaças de morte e ataques racistas nas redes sociais. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (13), um dia após a repercussão da restrição na agenda presencial da líder da bancada psolista na Casa. A iniciativa, entre outras coisas, escolta institucional da Câmara e pedido de suporte ao Governo do Estado.
Em nota, o mandato informou que protocolou um novo ofício à presidência solicitando as ações urgentes de proteção após o aumento das ameaças, que passaram a ocorrer também de forma presencial. “Sou uma mulher negra, mãe de três filhos, e represento as favelas e periferias desta cidade. O que enfrento não é apenas contra mim, é contra todas nós”, afirmou Thais Ferreira.
Medidas definidas pela Câmara
Entre as ações acordadas estão a escolta institucional cedida pela própria Câmara e o pedido de apoio do governo, incluindo o empréstimo de agentes de segurança para acompanharem a vereadora até que a situação seja resolvida. O documento prevê ainda a solicitação de maior velocidade nas investigações da Polícia Civil para identificar os responsáveis pelos ataques.
A decisão foi articulada entre a Mesa Diretora e a Comissão de Direitos Humanos. A Casa afirma que tem acompanhado o caso e dado suporte à Thais desde que tomou conhecimento das ameaças.
Ameaças seguem sendo investigadas
Ontem (12), o PSOL emitiu uma nota de repúdio aos ataques e em solidariedade à parlamentar. Segundo a legenda, Thais Ferreira, que já vinha sendo atacada há pelo menos dois meses, começou a sofrer mais intimidações nas últimas semanas.
Recentemente, a psolista chegou a ser abordada presencialmente por um homem na Zona Norte, o que aumentou a sensação de medo. Segundo uma análise de risco anexada ao novo ofício enviado à Câmara, um dos suspeitos dos ataques teria inclusive vínculos com grupos neonazistas.
A escalada coincide com as manifestações contrárias da vereadora contra a megaoperação realizada no último mês, criticada por conta das 121 mortes — sendo considerada a mais letal do estado. Os ataques vão de comentários racistas a ameaças de tortura e morte. Um dos comentários criminosos publicados por um usuário do X (antigo Twitter) chegou a acusar a parlamentar de ser “faccionada” e disse que ela deveria “ser torturada e morta”.
A vereadora já havia registrado ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e mantém contato com o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Governo Federal, que avalia a inclusão da edil em seu sistema de proteção
A parlamentar segue em atividade na Câmara, enquanto aguarda a implementação das medidas de segurança definidas pela Casa.
“Tivemos um retorno firme e comprometido da presidência para que possamos exercer o mandato com segurança. Esperamos que os responsáveis sejam identificados e possam responder à justiça”, disse Thais Ferreira.






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