Câmara aprova: violência contra mulher entra na lei de tortura

Projeto aprovado endurece penas e amplia proteção a vítimas de violência doméstica. Texto inclui agressões reiteradas como tortura e reforça medidas protetivas

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que endurece as punições para crimes de violência doméstica e estabelece que agressões e ameaças reiteradas contra mulheres podem ser enquadradas como tortura. A proposta amplia a proteção às vítimas e aumenta o rigor das sanções aplicadas aos agressores.

Mudança amplia definição de tortura

O texto inclui na Lei de Tortura a prática de submeter mulheres, de forma repetida, a sofrimento físico ou psicológico no contexto de violência doméstica. Com isso, essas condutas passam a ser tratadas como crime de tortura, cuja pena varia de dois a oito anos de reclusão.

A medida não exclui outras punições já previstas, mas amplia o alcance da legislação ao reconhecer a gravidade da violência continuada.

Projeto reforça proteção às vítimas

Além da mudança na tipificação penal, o projeto estabelece novas restrições para condenados por violência doméstica. Entre elas, está a proibição de se aproximar da residência, do local de trabalho da vítima ou de familiares enquanto estiverem em regime aberto, semiaberto ou em saídas autorizadas.

A descumprimento dessas regras passa a ser considerado falta grave.

“Se houver medidas protetivas em vigor, a aproximação será considerada violação”, prevê o texto.

Punições mais duras durante cumprimento da pena

A proposta também permite que presos que continuarem ameaçando ou agredindo a vítima sejam submetidos a regimes mais rigorosos dentro do sistema prisional.

Entre as medidas previstas estão o regime disciplinar diferenciado e a possibilidade de transferência do detento para outro estado, como forma de garantir a segurança da mulher.

Lei inspirada em caso real

O projeto ficou conhecido como Lei Bárbara Penna, em referência a uma vítima de tentativa de feminicídio que continuou sendo ameaçada mesmo após a prisão do agressor.

A proposta busca responder a situações em que a violência persiste mesmo após decisões judiciais e medidas protetivas.

Tramitação e próximos passos

O texto já havia sido aprovado no Senado e, com o aval da Câmara, segue agora para sanção presidencial. Caso seja sancionada, a nova lei passará a integrar o conjunto de medidas de combate à violência contra a mulher no país.

A expectativa é que a mudança contribua para reforçar a proteção às vítimas e ampliar a responsabilização de agressores em casos de violência continuada.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading