Caiado busca apoio de empresários no Rio e mira espaço entre Lula e Flávio na disputa presidencial

Em almoço com empresários e aliados políticos na ACRJ nesta quinta (9), pré-candidato do PSD à presidência defendeu alternativa à polarização nacional e minimizou o impacto do apoio de Eduardo Paes a Lula: ‘respeitamos as circunstâncias de cada estado’

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência pelo PSD, desembarcou no Rio nesta semana com uma agenda cheia, em busca de espaço num estado estratégico para a disputa eleitoral de 2026. Nesta quinta-feira (9), participou de um almoço com lideranças empresariais e aliados políticos na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), no Centro, onde voltou a se apresentar como alternativa à polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Durante a agenda, Caiado criticou os dois adversários pela forma como têm tratado o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, defendeu que o Pix fique fora de qualquer negociação internacional e comentou as divergências ideológicas no palanque do PSD fluminense, que tem o pré-candidato a governador, o ex-prefeito Eduardo Paes, caminhando ao lado de Lula.

Entre os presentes no encontro estavam o presidente da ACRJ, Josier Marques; o presidente da Câmara do Rio, Carlo Caiado (PSD), acompanhado de Flávio Valle e Pedro Duarte — ambos do PSD; os deputados federais Júlio Lopes (PP-RJ) e Otoni de Paula (PSD); o empresário e político Sávio Neves (PSDB); além do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

Em conversa com jornalistas, ao ser perguntado sobre seguir atrás de Lula e Flávio nas pesquisas para presidente, Caiado afirmou que a disputa presidencial tem sido motivada por um “voto de rejeição” e destacou que o cenário não pode ser reduzido a uma escolha por polarização entre os dois campos.

“O que nós estamos vendo é uma candidatura de rejeitados. São os mais rejeitados os que estão aí. Ficam nessa: ‘eu não gosto do Lula, eu voto no Flávio. Eu não gosto do Flávio, eu voto no Lula’. Isso é jogo de revanche ou é uma eleição para o país?”, declarou.

O pré-candidato também subiu o tom ao comentar a postura de Lula e Flávio diante das tarifas estadunidenses. Ele criticou o senador do PL por defender que a discussão sobre as tarifas fosse adiada para depois da eleição brasileira e acusou o presidente de provocar Donald Trump para explorar politicamente o tema da soberania nacional.

“Estamos num Brasil onde um candidato a presidente se preocupa em adiar as tarifas simplesmente pelo processo eleitoral, e o outro, que está no governo, simplesmente provoca o Trump porque acha que, com isso, vai resgatar a discussão de soberania”, disse.

Segundo Caiado, os dois lados estariam colocando a disputa eleitoral acima dos interesses econômicos do país. “Dois candidatos que não enxergam o Brasil e não defendem o Brasil. Defendem um processo eleitoral próprio. O Brasil fica em segundo plano”, sublinhou. “Em relação ao Pix, eu quero dizer que isso é inegociável. Isso é produção nossa. Não tem por que isso entrar na mesa de negociação. Ponto final”.

Ao falar aos empresários, Caiado associou os problemas de segurança pública do Rio a uma perda de atratividade econômica do estado. O pré-candidato afirmou que a atuação de facções e milícias afeta a circulação da população, a rotina de trabalhadores, a confiança de investidores e o ambiente de negócios.

Na segurança, o ex-governador apostou em um discurso de endurecimento contra o crime organizado e citou a experiência em Goiás como referência para defender uma atuação mais firme do governo federal na área.

Já na pauta econômica, Caiado defendeu que o Brasil aproveite melhor recursos estratégicos, como gás, nióbio e terras raras. Também criticou a falta de políticas estruturantes para reduzir a dependência do país em negociações internacionais e ampliar o peso brasileiro em cadeias produtivas de tecnologia, energia e defesa.

Ronaldo Caiado participou de almoço com empresários na ACRJ | Foto: Arquivo | Agenda do Poder

Palanque do PSD no Rio

No tabuleiro fluminense, Caiado foi questionado sobre como pretende organizar sua campanha em um estado onde o principal nome do PSD apoia um concorrente na disputa presidencial. O ex-governador minimizou o impacto da aliança entre Paes e Lula, afirmou que a questão já foi definida pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab — vice em sua chapa para o Planalto —, e disse respeitar as circunstâncias políticas de cada estado.

“Nós teremos aqui uma campanha onde muito bem foi colocada pelo presidente do partido. Vai ter o Eduardo, que está sendo candidato a governador do estado do Rio, e também o Caiado, candidato a presidente pelo PSD. O outro comitê que ele venha a ter, isso nós respeitamos as circunstâncias de cada estado”, afirmou o pré-candidato.

Caiado segue em agenda no Rio

Mais cedo, Caiado participou de um congresso da Confederação de Irmãs Beneficentes Evangélicas Mundial (Cibem), no Riocentro, na Zona Oeste, voltado ao público feminino evangélico. No evento, o pré-candidato defendeu a participação das mulheres nas decisões políticas e rebateu declarações recentes do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado de Flávio, que afirmou que mulheres “votam mal” e deveriam acompanhar as decisões dos maridos.

A agenda de Caiado no Rio continua nesta sexta-feira (10), quando o pré-candidato participa do programa Jogo do Poder, comandado pelo jornalista Ricardo Bruno. O ex-governador também deve cumprir novas agendas no estado durante o fim de semana.

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