Brasileiro paga no posto a farra da Petrobrás: nenhuma petroleira do mundo lucrou tanto e distribuiu tanto dividendo

No primeiro trimestre deste ano a Petrobras teve a maior margem de lucro em comparação com petroleiras estrangeiras, chegando a conseguir um resultado quase seis vezes maior que a PetroChina nesse indicador. Levantamento mostra que a Petrobras lucra mais e deixa de fazer investimentos para distribuir mais dividendos aos acionistas.  Enquanto isto, o brasileiro é…

No primeiro trimestre deste ano a Petrobras teve a maior margem de lucro em comparação com petroleiras estrangeiras, chegando a conseguir um resultado quase seis vezes maior que a PetroChina nesse indicador. Levantamento mostra que a Petrobras lucra mais e deixa de fazer investimentos para distribuir mais dividendos aos acionistas. 

Enquanto isto, o brasileiro é submetido a constantes aumentos de preços dos combustiveis, que são o motor da explosão inflacionária, da carestia e do empobrecimento da população.

O governo federal, por sua vez, embora seja o acionista controlador da empresa, se declara de mãos amaradas e incapaz de mudar a politica de preços e de investimento da Petrobrás, preocupando-se apenas em privatizá-la em fatias.

A reportagem está no UOL.

De acordo com dados da empresa de informações financeiras Economatica, a margem líquida da Petrobras foi de 31,6% no primeiro trimestre deste ano, enquanto as concorrentes tiveram no máximo 11,5% (veja gráfico abaixo). Em relação à PetroChina, que teve margem líquida de 5,6%, o resultado da Petrobras é quase seis vezes maior. Margem líquida é o resultado da divisão do lucro líquido pela receita líquida.

De acordo com Eduardo Costa Pinto, professor de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pesquisador do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o lucro da Petrobras cresce para além das demais, dado que a receita, oriunda da venda de combustíveis, sobe mais rapidamente que os custos da companhia na extração no pré-sal.

“Pela receita, como a Petrobras mantém o PPI (Preço de Paridade Internacional), ela maximiza o lucro porque cobra o preço máximo possível [dos combustíveis]. E como ela faz isso? Acompanhando os níveis internacionais, com frete e imposto, e vendendo pelo preço de monopólio”, disse.

“Por outro lado, há uma redução dos custos ao longo dos últimos anos, principalmente na extração do petróleo. Hoje o custo está em torno de US$ 30 o barril. Portanto, com o petróleo em alta [o barril estava cotado em cerca de US$ 123 na terça-feira, 14/6], o lucro sobe”, afirmou.

Além da margem de lucro acima das concorrentes, a Petrobras ainda opta por distribuir mais dividendos para os acionistas que as demais. Segundo Costa Pinto, no primeiro trimestre deste ano a estatal brasileira distribuiu US$ 10,2 bilhões, cerca de quatro vezes a média das petroleiras internacionais, que ficou em US$ 2,5 bilhões.

Segundo Costa Pinto, uma distribuição tão grande de dividendos faz com que a empresa deixe de pensar no longo prazo, principalmente em relação a alternativas ao petróleo. “O problema é que a empresa tem que ser pensada no curto, médio e longo prazo. Poderiam pensar em transição energética para garantir lucros no futuro. Hoje o pré-sal é uma grande vaca leiteira. Mas, se eu não invisto agora, não tenho capacidade de transformar oportunidades em vacas leiteiras”, afirmou.

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