Brasil registra recorde de feminicídios no início de 2026

Alta de 7,5% no primeiro trimestre acende alerta e aponta crescimento contínuo da violência contra mulheres

O Brasil registrou um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos entre janeiro e março de 2026, segundo dados divulgados pelo g1 com base em informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ao todo, foram 399 mulheres vítimas desse tipo de crime no período, o maior número já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2015.

O levantamento, compilado a partir do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), mostra que o número representa um aumento de 7,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O crescimento reforça uma tendência de alta ao longo da última década e evidencia o agravamento da violência de gênero no país.

Crescimento ao longo dos anos

Em dez anos, os registros de feminicídio no primeiro trimestre mais que triplicaram. Em 2015, foram contabilizadas 125 vítimas, número que saltou para 399 em 2026. O total atual supera inclusive os picos anteriores, como os registrados em 2022 (372 casos) e 2024 (384 casos).

Os dados indicam que janeiro foi o mês mais violento do trimestre, com 142 mortes. Em fevereiro, houve uma queda para 123 casos, mas os números voltaram a subir em março, com 134 vítimas.

Diferenças regionais e estados em alerta

A análise por unidades da federação revela que apenas Acre e Roraima não registraram casos de feminicídio no período. Já em termos proporcionais, o Amapá apresentou o maior crescimento, passando de 2 casos no primeiro trimestre de 2025 para 7 em 2026 — uma alta de 250%.

Estados mais populosos, como São Paulo e Minas Gerais, continuam liderando em números absolutos, o que também contribui para o volume total nacional.

Violência persistente

O aumento contínuo dos feminicídios reforça o desafio das autoridades em conter a violência contra mulheres no país. Especialistas apontam a necessidade de políticas públicas mais eficazes, ampliação de mecanismos de proteção e maior rigor na aplicação da lei para enfrentar o problema.

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