O Brasil recuperou seu certificado de eliminação do sarampo, rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita, perdido em 2019. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) concedeu a recertificação após o país manter-se sem novos casos locais por dois anos consecutivos e alcançar um aumento significativo na cobertura vacinal. A cerimônia que marcará a boa notícia ocorre nesta terça (12) em Brasília com a presença de Jarbas Barbosa, diretor da Opas, e da ministra da Saúde, Nísia Trindade.
A perda do certificado em 2019 foi um reflexo da baixa cobertura vacinal, que permaneceu abaixo dos 80% recomendados, e do surto iniciado em 2018, quando o sarampo voltou a circular no Brasil. Em 2019, o país registrou cerca de 21 mil casos da doença.
Nos anos seguintes, o número subiu para aproximadamente 40 mil casos. A recuperação do certificado foi possível graças a um esforço coordenado para retomar a vacinação e reforçar a vigilância epidemiológica. Em 2023, o Brasil já havia subido de status para “país pendente de reverificação” e, após reuniões e inspeções técnicas da Opas, conseguiu a recertificação.
Vacinação é o principal fator para erradiar doença
Desde 2022, todos os casos registrados foram importados e contidos com sucesso pela vigilância epidemiológica, evitando novos surtos locais. Esse avanço foi celebrado pelo presidente da Câmara Técnica de Verificação, Renato Kfouri, que destaca a vacinação como principal ferramenta para manutenção do status de eliminação.
Embora o Brasil tenha alcançado uma cobertura vacinal de 91,2% com a primeira dose da tríplice viral, ainda há necessidade de melhorias na aplicação da segunda dose, que atualmente cobre 81,3% da população. A meta é manter uma cobertura estável acima de 90% para impedir a reintrodução da doença.
Globalmente, a vacinação contra o sarampo permanece um desafio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que apenas 83% das crianças receberam a primeira dose e 74% a segunda, o que deixa cerca de 35 milhões de crianças com pouca ou nenhuma proteção.
Em 2022, mais de 300 mil casos registrados no mundo
Em 2022, o mundo registrou mais de 300 mil casos de sarampo, número três vezes maior que o do ano anterior. A OMS alerta que em 103 países a cobertura vacinal é insuficiente, destacando a importância de aumentar as taxas de vacinação para prevenir surtos.
Para Kfouri, a erradicação global do sarampo, semelhante à varíola, é possível, pois o vírus afeta exclusivamente humanos. No entanto, muitos países, como os europeus, ainda apresentam intensa circulação do patógeno. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) continua a oferecer a vacina gratuitamente para crianças a partir de 12 meses e adultos que não tenham sido imunizados.
Com informações de O Globo





