Os governos do Brasil e da Colômbia declararam nesta terça-feira (3) que a ordem de prisão contra o líder opositor venezuelano Edmundo González compromete seriamente os compromissos estabelecidos nos Acordos de Barbados. Esses acordos, firmados entre o regime de Nicolás Maduro e a oposição, visavam buscar uma solução pacífica para a crise política e social na Venezuela.
A ação contra González, que ocorreu após o controverso resultado das eleições presidenciais venezuelanas, coloca em risco os esforços diplomáticos promovidos por ambos os países. Desde o pleito, tanto o Brasil quanto a Colômbia têm se engajado ativamente na busca por uma solução negociada, enquanto o governo de Maduro enfrenta críticas internas e regionais por supostas irregularidades no processo eleitoral e pela repressão intensificada contra opositores políticos.
“Os governos de Brasil e Colômbia manifestam profunda preocupação com a ordem de apreensão emitida pela Justiça venezuelana contra o candidato presidencial Edmundo González Urrutia, no dia de ontem, 2 de setembro”, diz a nota conjunta. “Esta medida judicial afeta gravemente os compromissos assumidos pelo governo venezuelano no âmbito dos Acordos de Barbados, em que governo e oposição reafirmaram seu compromisso com o fortalecimento da democracia e a promoção de uma cultura de tolerância e convivência. Dificulta, ademais, a busca por solução pacífica, com base no diálogo entre as principais forças políticas venezuelanas”.
A Justiça da Venezuela emitiu, na segunda (2), uma ordem de prisão contra González, 75. O pedido de prisão foi feito pelo Ministério Público, liderado pelo procurador-geral, Tarek Saab, dias depois de González ignorar pela terceira vez uma intimação da Justiça para que prestasse depoimento no escopo de uma investigação iniciada após opositores acusarem fraude no pleito. A audiência mais recente foi marcada para a última sexta (30), quando a Venezuela sofreu com um apagão em todo o país.
González —que concorreu após a líder da coalizão opositora, María Corina Machado, ser proibida de disputar a eleição— afirmou em outras ocasiões que o Ministério Público atua como um “acusador político” e que seria submetido a um processo “sem garantias de independência ou devido processo legal” caso fosse à audiência.
A linha de atuação diplomática do Brasil desde as eleições de 28 de julho tem sido exigir do governo Maduro a publicação de atas eleitorais que comprovem o resultado —a oposição divulgou em um site cópias de atas que indicam vitória de González.
Na sexta (30), o presidente Lula afirmou em entrevista que não reconhece a vitória de Maduro até a apresentação das atas eleitorais.
Com informações da Folha de S. Paulo.





