Brasil avalia compra de caças F-16 usados em meio a dificuldades com programa Gripen

A FAB tem dúvidas se a Sueca Saab, fornecedora das aeronaves, cumprirá o cronograma, o que pode comprometer a defesa aérea nacional

Insatisfeita com os altos custos do programa de caças Gripen, a Força Aérea Brasileira (FAB) está considerando a aquisição de um lote de aeronaves americanas F-16 usadas. Essa medida é vista como um possível paliativo para garantir a defesa aérea do país enquanto enfrenta desafios financeiros e logísticos com o projeto sueco.

Em nota divulgada na sexta-feira (14), a FAB esclareceu que a análise não reflete dúvidas sobre as capacidades do Gripen, mas sim um levantamento preliminar de dados. A decisão ainda não envolve negociações com governos ou empresas, nem especificações sobre quantidades ou versões dos F-16.

O programa Gripen, que inclui a produção nacional e transferência de tecnologia pela sueca Saab, tem enfrentado atrasos e problemas orçamentários. A guerra na Ucrânia também contribuiu para a situação, pois a Suécia acelerou suas entregas do Gripen devido às preocupações de segurança na Europa. Com a desativação prevista dos aviões de ataque Embraer AMX em 2025, o ritmo lento de entregas dos novos Gripen preocupa a FAB.

Integrantes do governo sugerem que o anúncio pode ser uma estratégia para pressionar os suecos a melhorar as condições de uma negociação em curso para a aquisição de mais unidades do Gripen. O governo brasileiro pretende vender cargueiros Embraer KC-390 para a Suécia em troca de aumentar em 25% a compra dos caças Gripen, com um custo estimado em R$ 5 bilhões para 14 aviões adicionais.

O programa Gripen, firmado em 2014, custou cerca de R$ 20 bilhões, financiados pelo governo sueco por 25 anos. Até agora, a FAB pagou R$ 7,7 bilhões, incluindo R$ 1,2 bilhão no ano passado. No entanto, o cronograma de entrega das aeronaves fabricadas no Brasil parece inviável no ritmo atual.

A possível compra dos F-16 surge como uma alternativa mais econômica. Recentemente, a Argentina adquiriu 24 F-16 usados da Dinamarca por US$ 300 milhões, uma fração do custo estimado para os 14 novos Gripen. Embora os F-16 sejam menos avançados que os Gripen, são considerados adequados para as necessidades brasileiras.

Atualmente, a defesa aérea do Brasil depende de versões modernizadas dos antigos F-5 e dos AMX, muitos dos quais estão próximos da aposentadoria. A FAB teme ficar desprotegida sem uma substituição rápida e eficiente. A aquisição de F-16 usados poderia atuar como um tampão, semelhante aos 12 Mirage-2000 comprados da França entre 2006 e 2013.

Outra possibilidade é a compra ou leasing de Gripen C/D usados da Suécia. Esse modelo foi proposto à FAB nos anos 2000, antes da escolha do Gripen E/F.

Os sete Gripen já recebidos pela FAB ainda estão em fase de testes. A primeira missão oficial está prevista para o exercício militar Cruzex em novembro, com a participação dos EUA.

Para um militar envolvido no programa, a compra dos F-16 não prejudicaria o futuro do Gripen no Brasil. A FAB apenas substituiria os AMX e F-5 pelos F-16, mais modernos, enquanto busca viabilizar financeiramente a aquisição de mais caças Saab.

Com informações da Folha de S.Paulo

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