A malha rodoviária federal brasileira segue registrando números alarmantes de violência no trânsito. Em 2025, a BR-101 assumiu a liderança no ranking de mortes, com 645 vítimas fatais, ultrapassando a BR-116, que contabilizou 574 óbitos no mesmo período.
Os dados fazem parte de um levantamento da Fundação Dom Cabral (FDC), com base em informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Ao todo, as rodovias federais somaram 4.800 mortes em 2025.
Quando o recorte é ampliado para o período entre 2018 e 2025, o cenário muda: a BR-116 volta ao topo do ranking, com 4.778 mortes acumuladas, seguida pela BR-101, com 4.526. Juntas, as dez estradas mais letais do país concentraram 35.696 óbitos no intervalo analisado.
As rodovias federais com mais mortes em 2025
O ranking anual de 2025 revela concentração expressiva de vítimas em poucas vias estratégicas que cortam o país de Norte a Sul. Após BR-101 e BR-116, aparecem a BR-153 (239 mortes), BR-163 (188) e BR-262 (156).
Completam a lista a BR-230 (149), BR-364 (122), BR-70 (78), BR-369 (70) e BR-304 (25). O volume reforça o peso dessas rotas no transporte nacional e na circulação de cargas e passageiros.
No acumulado de 2018 a 2025, além de BR-116 e BR-101, destacam-se BR-153 (1.722 mortes), BR-163 (1.347) e BR-262 (1.129), seguidas por BR-230 (1.007), BR-364 (973), BR-376 (837), BR-470 (664) e BR-369 (429).
Pista simples e colisões frontais elevam gravidade
Segundo o estudo, a disputa entre BR-101 e BR-116 vai além dos números absolutos. A FDC analisou também indicadores proporcionais, como a Taxa de Acidentes (TAc), que considera o volume de tráfego, e a Taxa de Severidade de Acidentes (TSAc), que pondera o impacto das ocorrências — atribuindo peso maior a acidentes com feridos graves e mortes.
Nessa métrica, a BR-116 apresenta maior gravidade proporcional. Isso significa que, embora possa registrar menos acidentes totais em determinados anos, os casos nela tendem a resultar em mais vítimas fatais e feridos graves.
De acordo com especialistas ouvidos no levantamento, a explicação está principalmente nas características da via. A BR-116 possui longos trechos de pista simples, especialmente entre Minas Gerais e Bahia, onde os dois sentidos são separados apenas por sinalização horizontal. Esse traçado favorece colisões frontais, consideradas as mais letais.
Trechos críticos e infraestrutura precária
O mapa elaborado pela fundação aponta que, em 2025, os segmentos mais críticos da BR-101 se concentraram na divisa entre Rio de Janeiro e Espírito Santo. Já na BR-116, forma-se um corredor de alta severidade que começa no Rio, atravessa Minas Gerais e avança até a Bahia.
Entre os fatores de risco destacados estão pavimento irregular, ausência de acostamento e extensas retas, que contribuem para sonolência e excesso de velocidade. A predominância de pista simples amplia o potencial de impactos frontais, elevando o número de mortes.
Enquanto isso, a BR-101 tem apresentado melhora gradual após obras de duplicação, construção de viadutos e correções de traçado, principalmente no eixo Sul-Sudeste. Ainda assim, segue entre as mais letais em números absolutos.
Acidentes caem em 2025, mas alerta permanece
O levantamento mostra que o total de acidentes vinha crescendo desde 2023, após queda registrada em 2020, no início da pandemia. O pico ocorreu em 2024, com 56.116 acidentes, 4.995 mortes e 15.916 feridos graves.
Em 2025, houve recuo para 53.435 ocorrências, com 4.799 mortes e 15.098 feridos graves. Tanto a TAc quanto a TSAc caíram cerca de 12% em relação ao ano anterior, interrompendo a trajetória de alta.
Mesmo com a redução, especialistas alertam que os números seguem elevados. Além da infraestrutura, o estudo aponta o peso dos veículos pesados: embora representem cerca de 4% da frota nacional, caminhões e ônibus estão envolvidos, em média, em metade das mortes nas rodovias federais. A combinação de pista simples, tráfego intenso de cargas e falhas estruturais mantém o Brasil entre os países com maior desafio na segurança viária.





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