Ex-comandante da Aeronáutica confirma ao STF que Bolsonaro foi ameaçado de prisão se insistisse em plano golpista

Segundo Carlos de Almeida Baptista, ameaça partiu do ex-comandante do Exército que, ontem, negou ter feito esse alerta ao ex-presidente

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quarta-feira (21) a oitiva do tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), no processo que apura a tentativa de golpe de Estado articulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Baptista Junior afirmou que participou de reuniões no Palácio da Alvorada nas quais Bolsonaro discutiu uma minuta golpista. Ele ainda confirmou ter presenciado o então comandante do Exército, Marco Antonio Freire Gomes, ameaçar o ex-presidente de prisão.

A ordem de prisão foi negada por Freire Gomes na segunda-feira, em seu depoimento no STF:

— Logicamente ele não falou essa frase com agressividade. Mas é isso que ele falou. Com muita tranquilidade, com muita calma. “Se fizer isso, vou ter que te prender’”, disse. — disse Baptista Junior.

O militar também confirmou que Bolsonaro foi informado de que não havia qualquer indício de fraude nas eleições de 2022.

“Sim, [Bolsonaro foi informado disso] através do ministro da Defesa. Além de reuniões que eu falei, o ministro da Defesa que despachava sobre esse assunto”, disse o militar, após ser questionado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, se Bolsonaro tinha ciência de que não havia qualquer informação que comprovasse a ocorrência de fraudes no pleito.

Baptista Júnior, que comandou a FAB entre abril de 2021 e janeiro de 2023, também disse que o ex-presidente quis interferir na divulgação do relatório que confirmava a lisura das eleições.

“Sim. O relatório foi entregue no dia 9. Eu ouvi que sim [pressionou pelo adiamento da divulgação], certamente outras testemunhas poderão dar isso com mais precisão”, respondeu o milita

Cid confirmou que Bolsonaro editou a minuta do decreto de golpe

A delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, corroborou o depoimento de Baptista Júnior. Cid afirmou que o ex-presidente editou pessoalmente a minuta do decreto que previa a intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a prisão de ministros do STF.

As investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Tempus Veritatis, revelaram que o plano golpista contava com o apoio de alguns militares e civis próximos a Bolsonaro. No entanto, a resistência dos comandantes das Forças Armadas foi determinante para impedir a concretização do golpe.

O depoimento de Baptista Júnior reforça a tese de que houve uma tentativa coordenada de ruptura institucional, frustrada pela atuação de militares comprometidos com a legalidade. O processo segue em tramitação no STF, com a expectativa de novos desdobramentos nas próximas semanas.

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