Almirante da Marinha ofereceu tropas a Bolsonaro para impedir posse de Lula, confirma ex-comandante da FAB

Carlos Baptista Júnior também disse ao STF que prisão de Moraes foi cogitada em reunião com Bolsonaro

Em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (21), o ex-comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Carlos Baptista Júnior, revelou detalhes de uma tentativa de golpe que envolveu líderes militares e o então presidente Jair Bolsonaro. Segundo Baptista Júnior, em novembro de 2022, o então chefe da Marinha, almirante Almir Garnier, ofereceu as tropas da corporação a Bolsonaro com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

“O almirante Garnier não estava na mesma sintonia, na mesma postura que o general Freire Gomes. Em uma dessas reuniões, chegou a um ponto em que ele falou que as tropas da Marinha estariam à disposição do presidente”, relatou Baptista Júnior ao STF. Ele explicou que, enquanto Garnier se alinhava com a ideia de uma ação militar, ele e o general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, tentaram convencer Bolsonaro a abandonar qualquer ideia de ruptura institucional.

O tenente-brigadeiro também contou que participou de um “brainstorming” — uma espécie de tempestade de ideias — em que foi discutida a possibilidade de prisão de autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Baptista Junior, a conversa ocorreu em meio à apresentação, pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), de medidas que poderiam ser adotadas para tentar reverter o resultado das eleições presidenciais daquele ano. Durante o debate, surgiu o questionamento sobre a viabilidade da prisão de Moraes e os possíveis contratempos jurídicos que isso geraria.

“Eu lembro bem, houve a seguinte discussão: ‘Vai prender o Alexandre de Moraes, presidente do TSE? Vai. Amanhã o STF vai dar um habeas corpus para soltar esse. E aí, nós vamos fazer o que, vamos prender os outros 11?’”, relatou o ex-comandante, reforçando que a proposta estava longe de ser um plano fechado, caracterizando-se como uma busca por soluções diante de uma situação desconfortável para ele. “Mas isso era um brainstorming, buscando uma solução, que já estava no campo do desconforto. Pelo menos, para mim estava”, afir

Além disso, Baptista Júnior confirmou que, em dezembro de 2022, Bolsonaro apresentou uma minuta de decreto golpista aos chefes das Forças Armadas. O documento previa a realização de novas eleições e a prisão de autoridades do Judiciário. Baptista Júnior e Freire Gomes manifestaram oposição ao plano, enquanto Garnier permaneceu em silêncio.

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