O desespero diante da proximidade da eleição e da disparada de preços dos alimentos, minando ainda mais o apoio eleitoral do governo, fez o presidente Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes implorarem aos empresários, ontem, por uma espécie de congelamento de preços — pelo menos até outubro.
Eles fizeram o apelo por videoconferência — estavam nos Estados Unidos — a empresários que se encontravam reunidos no Brasil.
Foi mais ou menos como pedir uma doação especal de campanha, na forma de redução temporária de lucro.
Embora solidários ao governo, os representantes do setor de alimentos disseram que aceitam baixar seus preços, sim, desde que o governo reduza os impostos e desonere a folha de pagamentos.
Desta vez, diferentemente do que acontreceu na véspera, quando Bolsonaro esteve com empresários do Rio de Janeiro, não houve aplausos de pé nem risadas.
Leia a matéria da Folha:
Pressionados pela inflação em ano eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro Paulo Guedes (Economia) pediram ontem a empresários do setor de supermercados que congelem os preços da cesta básica.
O pleito foi apresentado durante evento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), do qual ambos participaram virtualmente.
“O apelo que eu faço para os senhores, para toda a cadeia produtiva, é para que os produtos da cesta básica obtenham o menor lucro possível, para a gente poder dar satisfação a parte considerável da população, em especial os mais humildes”, afirmou Bolsonaro.
O chefe do Executivo ainda disse que “em momentos difíceis, entendo que todos nós temos de colaborar”.
“Sei que a margem de lucro tem cada vez diminuído mais. Vocês já têm colaborado nesse sentido, mas colaborem um pouco mais na margem de lucros dos produtos da cesta básica”, disse. “Se for atendido, agradeço muito; se não for, é porque não é possível”, afirmou.
Já Guedes reforçou o apelo ao pedir uma trégua nos valores. “Agora é hora de dar um freio nessa alta de preços, é voluntário, é pelo bem do Brasil”, afirmou o ministro.
“Da mesma forma que os governadores têm de colocar a mão no bolso e ajudar o Brasil, o empresariado brasileiro tem de entender o seguinte: devagar agora um pouco, pois temos de quebrar essa cadeia inflacionária”, disse Guedes.
No fim da tarde, a entidade divulgou uma nota propondo ao governo isenção de impostos dos produtos da cesta básica e a desoneração da folha de pagamentos. A representante de mais de 50 varejistas do país diz que irá a repassar ao consumidor qualquer redução que houver na cadeia produtiva.
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