Bolsonaro, Anderson Torres e ex-diretor da PRF deverão ser alvos do relatório final da CPI dos atos golpistas

O ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser um dos alvos do relatório final da CPMI dos atos golpistas de 8 de Janeiro, assim como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O relatório final da relatora da comissão, senadora Eliziane Gama (PSD-MA) deve também frisar a participação…

O ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser um dos alvos do relatório final da CPMI dos atos golpistas de 8 de Janeiro, assim como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O relatório final da relatora da comissão, senadora Eliziane Gama (PSD-MA) deve também frisar a participação de militares. O documento, que a senadora mantém sob sigilo, será apresentado nesta terça-feira (17) e votado na sessão do dia seguinte.

Parlamentares aliados apontam que a participação de Bolsonaro na teia golpista que levou aos ataques de 8 de janeiro foi exposta pelo programador Walter Delgatti Neto, o hacker da Vaza Jato, e pela delação premiada de seu principal ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid.

Ao longo dos trabalhos, a CPI derrapou na convocação de fardados e chegou a perguntar ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se haveria constrangimento em ouvir alguém da caserna.

O ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier não foi sequer convocado pela comissão para explicar o suposto aval a um plano golpista de Bolsonaro após a vitória de Lula (PT). A CPI também não levou adiante o depoimento do general Walter Braga Netto (PL), ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Bolsonaro.

Mesmo assim, assessores que participaram da construção do relatório afirmam que o documento deve reforçar o envolvimento de militares formados nas forças especiais do Exército, os chamados de “kids pretos”, e sugerir o indiciamento do general Ridauto Fernandes —também não  ouvido pela CPI, mas que acabou sendo alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal no mês passado.

“Nós ouvimos as mais diferentes patentes aqui nesta comissão, é natural que no nosso relatório nós também tenhamos indiciamentos”, disse a relatora nesta segunda-feira (16) ao ser questionada sobre o indiciamento de militares e do ex-presidente da República. Ela não confirmou nenhum nome.

A CPI também deve sugerir que militares fiquem afastados da política, seja quando quiserem se candidatar ou assumir algum cargo no governo federal. O pedido foi reforçado nesta segunda pelo movimento Pacto Pela Democracia, que reúne cerca de 200 entidades da sociedade civil, entre elas o Instituto Vladimir Herzog.

“A gente observa que, muitas vezes, a responsabilização das Forças Armadas não é feita. Responsabilizar [os militares] agora é de suma importância para que a gente entenda que qualquer crime contra o Estado democrático de Direito será responsabilizado, tendo sido cometido por civil ou militar”, defendeu um dos coordenadores do Pacto, Arthur Mello.

Parlamentares da base avaliam que a comissão também foi importante para aumentar a pressão sobre Cid. A CPI convocou o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, ameaçou chamá-lo de novo, quebrou seus sigilos e revelou que a lista de presentes recebidos pelo ex-presidente era maior do que a anteriormente conhecida.

Com informações da Folha de S.Paulo

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