O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (12) ter se arrependido de ter dito, em 2020, que não era “coveiro” ao responder a um questionamento sobre as mortes por Covid-19 no país. Em entrevista a um podcast voltado ao público evangélico, o presidente fez um mea culpa ao dizer que “deu uma aloprada” e que “perdeu a linha” quando afirmou que “não era coveiro” ao tratar do tema na época. ”Dei uma aloprada sim, eu perdi a linha. Ai eu me arrependo. Eu parei de falar com a mídia porque o seguinte, os caras batiam na tecla o tempo todo e eu não percebo que queriam me tirar do sério. Ai quando começou… o cercadinho, pode ver, não é mais lá fora, é lá dentro, só com o povo”, afirmou Bolsonaro ao Positivamente Podcast.
Em abril de 2020, ainda nos primeiros meses da pandemia, Bolsonaro foi questionado por jornalistas na porta do Palácio da Alvorada, no local onde costumava receber apoiadores, chamado de “cercadinho”, sobre as mortes por covid-19. À época, o Brasil registrava 2.575 vítimas do vírus. O presidente afirmou então que não era “coveiro”. Bolsonaro afirmou também que o seu comportamento mudou no último ano e que a cadeira da Presidência da República é um “aprendizado”. “Sou chefe da nação, sei disso. Eu sou ser humano também, lamento o que eu falei. Não falaria de novo. Pode ver que de um ano para cá o meu comportamento mudou. A minha cadeira é um aprendizado”, afirmou.
Na mesma entrevista, Bolsonaro disse que não retiraria a declaração sobre a possibilidade de uma pessoa “virar jacaré” depois de receber uma dose da vacina por desconhecer os efeitos colaterais do imunizante. O presidente afirmou que se tratava de uma “figura de linguagem”. Em outro momento, ele afirmou que não “zombou” de pessoas com asfixia provocada pela doença. O assunto foi retomado durante entrevista ao Jornal Nacional, em agosto deste ano. Em 2021, o presidente simulou em ao menos duas ocasiões pacientes de Covid-19 sem oxigênio, sintoma comum da doença. A falta de cilindros de oxigênio foi um dos problemas mais graves no enfrentamento da doença no país, levando, por exemplo, o colapso do sistema de saúde em Manaus e provocando a morte de pacientes por asfixia.
Na mesma entrevista, o presidente voltou a defender o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença, segundo estudos científicos. Bolsonaro afirmou que acreditava que salvou milhares de vidas graças a divulgação do tratamento precoce. “Vamos supor que eu salve agora um milhão de vidas e venha tirar uma só do lado de cá, eu sou responsável. Eu acredito que o que eu fiz divulgando o tratamento precoce, que muita gente, milhões de pessoas dizem que se salvaram graças a isso, são gratas a mim porque eu tive coragem de mostrar que tinha uma alternativa que poderia ser realmente boa, e foi boa, tanto é que eu me salvei. A minha família, mesmo todo mundo que teve Covid, todo mundo pegou Covid, tomou esse medicamento”, concluiu Bolsonaro.





