A Bolsa brasileira encerrou esta quinta-feira (23) no menor patamar desde julho de 2022, com o mercado revisando suas projeções para os juros após o Banco Central (BC) não abrir caminho para um corte da taxa, como se esperava. Apesar de ter começado o dia em alta, a tendência se inverteu e clima piorou com as críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à autoridade monetária.
Na quarta, o Copom (Comitê de Política Monetária) divulgou a manutenção da Selic em 13,75% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado, mas a postura dura do comunicado, ressaltando inclusive a possibilidade de voltar a subir os juros, caso as condições econômicas se deteriorem, surpreendeu analistas.
A atuação do BC vem sendo alvo de ataques do governo Lula, que pressiona por uma redução da Selic. O presidente disse nesta quinta-feira que a “história julgará” as decisões da autoridade monetária e defendeu ainda que o Senado adote medidas para que o presidente do BC, Roberto Campos Neto se preocupe com o emprego e a renda no país.
Na véspera, logo após a divulgação do comunicado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), também havia criticado a decisão do Copom, considerada por ele “muito preocupante”.
Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren Rena, afirma que as críticas ao BC contribuem para o comportamento dos investidores nesta quinta. “Acabem gerando um mal-estar no mercado”.
O Ibovespa fechou em baixa de 2,28%, a 97.926 pontos, pior marca desde 18 de julho do ano passado. Na mínima do dia, o índice chegou a bater em 96.996 pontos. O dólar comercial à vista encerrou o dia com alta de 0,996%, a R$ 5,288.
“Na minha visão, o BC foi na contramão das expectativas de agentes de mercado mais otimistas, que esperavam um tom mais leve e até mesmo uma eventual antecipação de corte de juros para o curto prazo”, afirma Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos.
Em Nova York, os índices de ações oscilaram bastante, ainda pelas preocupações com o sistema financeiro americano. Mas com uma recuperação na parte final do pregão, os mercados fecharam em alta, com destaque para as empresas de tecnologia.
O índice Dow Jones fechou em alta de 0,0,23%. O S&P 500 subiu 0,30%, e o Nasdaq fechou o dia com avanço de 1,01%.
Entre as ações listadas no Ibovespa, poucas fecharam em alta. A maior queda ficou com o papel ordinário do Magazine Luiza, com recuo superior a 13%.
“Enquanto os juros permanecerem altos, teremos performances ruins dentro do setor de varejo. Principalmente para as empresas mais endividadas, que assumem um custo de dívida extremamente alto”, afirma Lucas Caumont, estrategista de investimentos da Matriz Capital.
Com informações da Folha de São Paulo.
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