Bicheiro Adilsinho é denunciado como mandante de novo homicídio ligado ao comércio de cigarros

Ministério Público aponta disputa na Zona Oeste como motivação e pede prisão de executores, incluindo um policial militar

Foragido há mais de um ano, o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, voltou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio como mandante de um homicídio.

Desta vez, a vítima foi Fabrício Alves Martins de Oliveira, que atuava no comércio de cigarros. De acordo com a acusação, o crime teria sido motivado pela disputa pela exploração ilegal do produto na Zona Oeste do Rio.

Além do contraventor, o Ministério Público pediu a prisão de três homens apontados como executores do assassinato, entre eles o policial militar Daniel Figueiredo Maia. Também foram denunciados José Ricardo Gomes Simões e Alex de Oliveira Matos. Todos respondem por homicídio qualificado.

Histórico de crimes e mandados em aberto

Segundo o Banco Nacional de Mandados de Prisão, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça, Adilsinho acumula quatro ordens de prisão em aberto. Três delas estão relacionadas a homicídios ocorridos em 2022, entre as vítimas estão Marco Antônio Figueiredo Martins, conhecido como Marquinhos Catiri, o segurança dele, Alex Sandro José da Silva, e Fábio de Alamar Leite, sócio de Fabrício.

As investigações da Delegacia de Homicídios da Capital indicam que, no caso de Marquinhos Catiri, a motivação foi uma disputa territorial envolvendo pontos do jogo do bicho e máquinas caça-níqueis. Catiri era apontado como braço direito do bicheiro Bernardo Bello, ligado a uma tradicional família da contravenção no Rio.

Execução em posto de combustíveis

O novo homicídio atribuído a Adilsinho ocorreu na tarde de 2 de outubro de 2022, em um posto de combustíveis na Estrada do Mendanha, em Campo Grande. Segundo a denúncia, os executores agiram de forma coordenada e surpreenderam Fabrício quando ele deixava a loja de conveniência do local.

As investigações apontam que a vítima conduzia um veículo de luxo e vinha sendo seguida por um carro usado pelos atiradores. No momento em que parou, foi atingida por 14 disparos de fuzil e pistola. O laudo pericial indica que os tiros atingiram regiões vitais, como crânio, tórax e abdômen.

Disputa por cigarros ilegais

Na denúncia, o promotor Alexandre Themístocles afirma que o crime foi motivado por ganância e rivalidade entre grupos criminosos que disputam o controle do comércio clandestino de cigarros. Em outro trecho, o Ministério Público sustenta que a sequência de assassinatos demonstra uma estratégia para eliminar concorrentes no mercado ilegal.

Em setembro, o mesmo promotor já havia denunciado Adilsinho pelo homicídio de Fábio de Alamar Leite, morto após sair do enterro do sócio Fabrício, assassinado dois dias antes. Para os investigadores, os crimes estão interligados e reforçam a atuação do bicheiro como mandante.

Além dos processos na Justiça estadual, Adilsinho também é alvo de dois mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal, relacionados a crimes de organização criminosa e extorsão.

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