BC apura patrimônio de aliados de Vorcaro por suspeita de fraude

Servidores ligados ao dono do Banco Master são investigados por possível enriquecimento incompatível com renda

O Banco Central do Brasil abriu duas sindicâncias patrimoniais para investigar os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, apontados como aliados do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As apurações buscam verificar se o patrimônio acumulado pelos funcionários é compatível com suas rendas declaradas ou se há indícios de enriquecimento ilícito.

As investigações administrativas começaram em 8 de janeiro e ocorreram paralelamente às apurações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. O avanço das investigações resultou em medidas cautelares impostas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso envolvendo o Banco Master.

As informações são do Metrópoles. Pela decisão judicial, os dois servidores passaram a usar tornozeleira eletrônica e estão proibidos de deixar o município onde vivem ou manter contato com outros investigados da operação.

Antes das medidas judiciais, Paulo Sérgio já havia deixado o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC em 19 de janeiro. Belline Santana, então superior do servidor, pediu exoneração do posto no dia 27 do mesmo mês. As dispensas foram publicadas no Diário Oficial da União.

A sindicância patrimonial é um procedimento administrativo de caráter investigativo, que busca identificar possíveis sinais de evolução patrimonial incompatível com a renda de servidores públicos. O processo não prevê punição imediata, mas pode resultar na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar caso sejam identificados indícios de irregularidades.

Se confirmadas suspeitas de enriquecimento ilícito, o Banco Central poderá encaminhar o caso para órgãos como o Ministério Público Federal, o Tribunal de Contas da União, a Controladoria-Geral da União, a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

As investigações da Polícia Federal indicam que Vorcaro teria se aproximado dos servidores para obter informações internas e orientação estratégica sobre processos envolvendo o Banco Master na autoridade monetária. De acordo com os investigadores, os contatos incluíam ligações telefônicas, reuniões e troca de mensagens sobre a situação regulatória da instituição financeira.

A apuração também aponta que um dos servidores teria prestado consultoria informal ao banqueiro, incluindo orientações sobre reuniões e comunicações com dirigentes do Banco Central. Em outra frente, a investigação identificou que documentos e minutas institucionais do Banco Master teriam sido revisados por um dos servidores antes de serem enviados ao próprio órgão regulador.

Segundo a Polícia Federal, as conversas entre os investigados ocorreriam em um grupo de mensagens do qual participavam o banqueiro e os dois servidores. Em alguns diálogos, também aparecem referências a pagamentos indiretos e vantagens oferecidas aos envolvidos.

A defesa de Vorcaro afirma que o empresário sempre colaborou com as autoridades e nega qualquer tentativa de obstrução das investigações.

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