O secretário estadual da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, voltou a ser alvo da ira de deputados da base governista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta terça-feira (24).
A temperatura aumentou durante a discussão de um projeto que prevê a instalação de câmeras e tecnologias de videomonitoramento em áreas públicas. No plenário, parlamentares aproveitaram o debate para criticar a criação do 13º Batalhão da PM em Maricá e a tentativa de o oficial se eleger deputado “aparelhando” a secretaria.
A unidade foi oficialmente criada por decreto no mês passado e será construída na Cidade da Segurança, no Parque Nanci, em parceria entre o governo do estado e a prefeitura de Maricá. Atualmente, o policiamento do município é realizado pelo 12º BPM, sediado em Niterói.
Numeração gera reação
O principal foco das críticas foi a escolha do número 13 para o novo batalhão. O número estava em desuso desde 2011, quando foi desativado o 13º BPM da Praça Tiradentes, no Centro do Rio. Deputados da base associaram a numeração ao Partido dos Trabalhadores, que tem como vice-presidente nacional o prefeito de Maricá, Washington Quaquá.
O líder do governo na Casa, deputado Rodrigo Amorim (União Brasil), fez o discurso mais incisivo. Ele afirmou que o secretário escolheu “um lado” ao optar pela numeração e declarou que a decisão representou um tapa na cara do Parlamento, já que deputados haviam apresentado indicações para instalação de batalhões em outras áreas do estado.
Amorim disse que, se o número não for alterado, a Assembleia poderá aprovar um projeto de decreto legislativo para sustar a nomeação. O parlamentar também deu prazo de 24 horas para que o coronel reveja a decisão e mude a numeração do batalhão. Caso contrário, afirmou, a Casa irá “desmoralizá-lo” com a aprovação do decreto.
Projeto para sustar a nomeação
Deputados informaram que já está sendo elaborado o projeto para modificar o nome e o número da unidade. Filippe Poubel (PL) afirmou que considera inaceitável vincular o número de um batalhão a um partido político, sobretudo em ano eleitoral. Ele também reclamou de não ter sido convidado para o anúncio da unidade.
O presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), leu em plenário uma indicação legislativa de 2023 em que solicitava a criação de batalhão para Maricá e Saquarema. Ele também revelou que não foi convidado para o anúncio oficial.
Questionamentos à gestão
Outros parlamentares ampliaram as críticas à condução da Secretaria. Júlio Rocha (Agir) defendeu que o secretário seja convocado à Comissão de Segurança Pública para prestar esclarecimentos, inclusive sobre critérios de promoção de coronéis e gastos com publicidade.
Ele se referiu ao secretário como secretário “Tik Tok” ao questionar sua exposição pública. Já Thiago Rangel (Avante) mencionou a possibilidade de criação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar o que chamou de “farra” dentro da Polícia Militar.






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