Bancários do Rio aderem a paralisação nacional de 24 horas nesta quinta

Categoria rejeitou proposta da Fenaban e cobra definição de reajuste salarial; agências das avenidas Rio Branco e Presidente Vargas, no Centro, devem fechar, e negociações são retomadas na segunda-feira (24)

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Os bancários do Rio de Janeiro aderem nesta quinta-feira (20) a uma paralisação nacional de 24 horas em meio ao impasse nas negociações da campanha salarial da categoria. A mobilização ocorre após os trabalhadores rejeitarem propostas apresentadas Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e prevê o fechamento de agências e a suspensão das atividades presenciais e remotas.

Segundo o Sindicato dos Bancários do Rio, a paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na segunda-feira (17), depois que a categoria recusou uma proposta da Fenaban que previa reajustes diferenciados por faixa salarial e o congelamento do piso de entrada para novos funcionários.

No Rio, aproximadamente 97% dos participantes votaram contra a oferta dos bancos, e mais de 89% aprovaram a paralisação. Em todo o país, mais de 50 mil bancários participaram das assembleias.

Na capital fluminense, a expectativa é de fechamento das agências localizadas nas avenidas Rio Branco e Presidente Vargas, no Centro. O movimento também deve atingir unidades em cidades como Niterói, Petrópolis, Teresópolis, Campos dos Goytacazes e municípios do Sul Fluminense.

Fenaban recuou de parte das propostas, mas ainda não apresentou reajuste

Na oitava rodada de negociações, realizada na terça-feira (18), a Fenaban retirou da mesa as propostas de reajuste por faixas salariais e de congelamento do piso de ingresso. Apesar do recuo, os bancos ainda não apresentaram um percentual de reajuste para os salários e demais verbas da categoria. Os bancos informaram que farão uma reunião interna nesta sexta-feira (21) e propuseram a retomada das negociações com o Comando Nacional dos Bancários na segunda-feira (24).

A Fenaban também voltou a mencionar a possibilidade de levar as negociações ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). O Comando Nacional dos Bancários, porém, defende que o processo continue sendo construído diretamente entre trabalhadores e bancos, diante do risco de uma decisão judicial resultar em perdas para a categoria.

‘Banqueiros recuam quando a categoria se mobiliza’, diz sindicato

Entre as principais demandas da categoria estão aumento real dos salários, valorização do piso, melhorias nos benefícios, combate às metas consideradas abusivas e ao assédio no ambiente de trabalho, além da ampliação das contratações. As entidades sindicais também denunciam a redução de agências e postos de trabalho no estado, afirmando que o cenário tem dificultado o acesso da população aos serviços bancários, especialmente para clientes com menor familiaridade com ferramentas digitais.

“A Fenaban está sentindo a força da categoria. Quando os bancários e bancárias se unem e se mobilizam, os banqueiros recuam. Foi assim que conseguimos retirar propostas que atacavam nossa unidade, e é essa mesma força que precisamos levar para a próxima rodada de negociação. Não vamos aceitar retrocessos nem abrir mão dos nossos direitos”, afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio, José Ferreira, que reforçou atribuiu à mobilização melhorias já conquistadas pela categoria.

A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, também criticou a demora dos bancos em apresentar uma proposta concreta. “Os bancos estão com a nossa pauta de reivindicações desde o dia 24 de junho. A mesa de negociações começou no dia 2 de julho e, desde então, tiveram a oportunidade de apresentar uma proposta. Porém, até agora, faltando duas semanas para a data-base, não apresentaram nada. Isso não é compatível com o setor mais lucrativo do país, que lucrou 174 bilhões de reais somente em 2025”, disse.

A Fenaban informou que recebeu a pauta de reivindicações no dia 24 de junho e que as negociações seguem o cronograma estabelecido. “Esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes”, afirmou a entidade.

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