Depois do recuo na tentativa de aprovar o projeto de lei das Fake News na Câmara dos Deputados, lideranças da base do presidente Lula já admitem que tão cedo o projeto não volta mais à pauta de votações do Congresso.
Esta é a previsão de Malu Gaspar, colunista do Globo on-line.
Nas palavras de um dos líderes mais influentes da Câmara, que trabalhou pela aprovação inclusive contando votos, o texto foi para a gaveta “indefinidamente”. Só voltará a tramitar se o ambiente de hostilidade contra ele for revertido.
A constatação de que o projeto seria derrotado – e com ampla vantagem – foi a razão pela qual seu relator, Orlando Silva (PCdoB-SP) pediu, no final do dia, para que ele fosse retirado de pauta.
Embora o deputado tenha justificado o recuo pelo argumento de que seria preciso ajustar alguns detalhes, o fato é que os mapas de votos do governo mostravam que mais de 260 deputados se posisionariam contra o projeto, o que na prática o condenava a derrota caso fosse submetido ao plenário (a Câmara tem 513 deputados).
Na última semana, depois que o presidente da Câmara, Arthur Lira, conseguiu aprovar a tramitação do texto em regime de urgência por 238 votos contra 192, a base governista acreditou que teria condições de aprovar também o próprio projeto, enquanto a oposição ao texto, capitaneada pelas plataformas digitais e pelas igrejas evangélicas, montou uma ofensiva nas redes que acabou revertendo a posição de vários partidos.
Um dos que anunciou que fecharia questão contra o projeto já no final de semana, mesmo depois de ter sido favorável ao regime de urgência, foi o Republicanos, que tem 28 deputados. A federação PSDB-Cidadania (18 parlamentares) tomou o mesmo rumo hoje, e muitos deputados de partidos variados também viraram o voto ao longo do dia.





