Baixada sob domínio armado: o que candidatos ao governo do Rio propõem contra as milícias
Reportagem Especial

Baixada sob domínio armado: o que candidatos ao governo do Rio propõem contra as milícias

Com organizações plurais, os grupos paramilitares operam entre a legalidade e a ilegalidade há décadas nos municípios da região

Estruturas que impõem catracas no território carioca há décadas, as milícias entraram para o debate dos candidatos ao governo do Rio, especialmente quando o assunto é Baixada Fluminense, um dos berços dos grupos paramilitares no estado. A poucos meses das Eleições 2026, a disputa pelo Palácio Guanabara também passa pela pergunta: quais são as propostas para resolver um mal que parece só aumentar de tamanho?

Composta por 13 municípios, a Baixada Fluminense reúne cidades com diferentes histórias de ocupação e crescimento. Segundo especialistas ouvidos pela Agenda do Poder, a região é um dos primeiros lugares onde se formaram grupos milicianos no estado, em um processo que antecede a formação da chamada “polícia mineira” de Rio das Pedras, na Zona Sudoeste do Rio.

Segundo o sociólogo José Cláudio Souza, autor do livro “Dos barões ao extermínio: uma história da violência na Baixada Fluminense”, as milícias são uma linha de continuidade dos grupos de extermínio, formado por agentes públicos de segurança que eliminavam da frente aqueles que apareciam no caminho.

“As milícias são, de certa forma, uma evolução da estrutura dos grupos de extermínio. Primeiro, eles são formados por agentes públicos. São servidores públicos envolvidos tanto nos grupos de extermínio, como nas milícias. Eles são treinados, portanto, dentro da estrutura de segurança pública.”

José Cláudio Souza, sociólogo

Em meio à alta geração de receitas nos municípios da Baixada, como Duque de Caxias, por exemplo, com faturamento advindo da industria petroquímica, e Nova Iguaçu, pelas vendas expressivas e volume de empregos, a região também concentra elevados indicadores de violência e mortes por intervenção de agentes do Estado.

Milícia X CV: disputa pela Baixada

Desde 2019, a radiografia criminal da região aponta para uma disputa territorial cada vez mais marcada pelo confronto interno entre milícias e o Comando Vermelho (CV).

Os números ajudam a dimensionar essa disputa. De acordo com o Mapa Histórico dos Grupos Armados no Rio de Janeiro de 2025, realizado pelo Grupo de Estudos e Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e pelo Instituto Fogo Cruzado, o Comando Vermelho segue como o grupo com maior participação na extensão territorial controlada na Baixada. Ao longo da série histórica, a facção chegou a responder por 82,3% das áreas controladas na região.

As milícias, por outro lado, foram as que mais avançaram no período. O controle territorial desses grupos cresceu 1.608%, passando de 6,4% das áreas controladas em 2007 para 37,4% em 2024. Em número de habitantes sob controle ou influência, o crescimento foi de 1.290,89%, o equivalente a 212.429 pessoas.

A expansão fez da Baixada uma das principais áreas de disputa entre os grupos armados. Entre 2019 e 2023, quando o levantamento considera também as áreas sob influência, as milícias chegaram a superar o Comando Vermelho.

Sob os olhos da milícia, a Baixada é a galinha dos ovos de ouro. Segundo o sociólogo José Cláudio Souza, a região é da Baixada é almejada pelos grupos armados por uma série de motivos.

“As milícias vão abrir um leque de possibilidades com bens e serviços urbanos monopolizados, de gás, água, gato-net, distribuição de terras e imóveis, formação de aterros sanitários, venda de combustíveis adulterados, empréstimos com agiotagem, venda de cestas básicas e transporte clandestino de pessoas. Um leque de possibilidades.”

A disputa não se resume às armas e passa por quem controla a rua, o comércio, os serviços e, em última instância, a circulação de dinheiro dentro de cada território. É nesse ponto que a definição de milícia se torna menos simples.

Pesquisador Leonardo Brama, o pós-doutorando no Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (INCT-InEAC), explica que o termo reúne organizações com estruturas e formas de atuação muito diferentes. O elo entre elas, segundo ele, está na capacidade dos milicianos de transitar entre a esfera legal e o seu oposto.

“O ponto principal é esse poder que é diretamente proporcional ao grau da própria inserção na esfera legal e na esfera ilegal. A peculiaridade desse tipo de poder é também o que as diferencia de outras organizações criminosas.”

Na ‘máfia da farinha’, os comerciantes são obrigados a adquirir mercadorias com fornecedores indicados pelo tráfico ou por milicianos – Crédito: Divulgação/ Polícia Civil

O dinheiro pode vir de mercados distintos. Gás, água, internet, transporte clandestino e imóveis aparecem entre as atividades já identificadas pela polícia e pelo Disque-Denúncia. A Agenda do Poder já mostrou como comerciantes de Belford Roxo foram obrigados a comprar farinha de fornecedores ligados à milícia e como o monopólio afetou o preço do pão na região.

Além dessas atividades, o mercado imobiliário também ganhou espaço nessa equação, com ocupação de terras, construções e grilagem. Até programas habitacionais passaram a fazer parte do interesse desses grupos.

Um deles, Minha Casa, Minha Vida, política do governo federal de habitação popular, aparece no mapa da milícia. Os condomínios, construídos para atender famílias de baixa renda, passaram a se transformar em espaços de disputa pelo controle territorial e econômico. É o que explica Brama.

“O programa federal Minha Casa Minha Vida tem sido alvo, há diversos anos, de interesse de grupos milicianos e, de modo geral, o âmbito do mercado imobiliário como um todo. A grilagem de terras, bem como sua ocupação e construção são atividades que hoje em dia caracterizam parte das multifacetadas atividades de grupos milicianos”, sintetiza.

Poder que se impõe pelo terror

A professora Nalayne Mendonça, pesquisadora do tema e co-autora do livro “Desaparecimento forçado: Vidas interrompidas na Baixada Fluminense“, chama atenção para outra característica: a pluralidade dos grupos milicianos. Enquanto há organizações menores, formados por policiais aposentados, seguranças e outros agentes, há outros com estruturas maiores que se estendem em ramificações políticas e econômicas.

“Há vários tipos de grupos. Desde quatro, cinco policiais aposentados ou seguranças privados que vão fazer a atividade do que nós chamamos de milícia, até grandes milícias como é o ‘bonde do Ecko’. Também participam dessa rede policiais civis e militares que se envolvem na corrupção”, pontua a especialista.

Wellington da Silva Braga, o Ecko, controlava parte do território em Itaguaí | Crédito: Reprodução

Esse mecanismo se repete com variações. Quando o domínio territorial abre caminho para o controle de mercados, o controle dos mercados exige força.

“Para que esse controle territorial seja exercido, é preciso que ele seja imposto pelo medo, pelo terror, pela violência. A partir dessa violência que se caracteriza, há o desaparecimento forçado de pessoas que se opõem a esses grupos.”

Nalayne Mendonça, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

E a força, em determinados territórios, também se articula com agentes públicos, empresários e políticos. De acordo com a especialista, esses atores tornam a estrutura ainda mais ampla e ainda mais profunda.

“Além disso, tem uma forte participação também de vereadores, deputados e prefeitos que se beneficiam com esses grupos, que têm acordos, negócios, empresas com esses diferentes grupos e também participam dessa dinâmica. É de uma complexidade enorme pensar nessa trama criminal”, acrescenta Nalayne.

Um mapa que muda de nome a cada município

As estruturas, os negócios e as relações com agentes públicos mudam de um município para outro. É essa fragmentação que ajuda a explicar por que a presença das milícias não pode ser descrita apenas a partir de um comando central ou de uma única organização.

Em Nilópolis, a política municipal aparece associada a uma estrutura familiar que, segundo Alves, se mantém desde o período da ditadura militar. O jogo do bicho, grupos de extermínio e o tráfico de drogas se cruzariam em diferentes momentos da formação do poder local.

“Em Nilópolis, com uma família controlando a política há muito tempo, desde a ditadura militar. Você tem Anísio Abraão Davi muito forte, juntando o jogo do bicho, contravenção e portanto, grupos de extermínio, tráfico de drogas. Tudo isso está vinculado ali”.

Em Mesquita, município de menor extensão territorial, o pesquisador cita a relação entre a dinâmica criminal e a área de atuação do 20º BPM (Mesquita), além dos confrontos com o Comando Vermelho.

Já na região da Serra de Madureira, em Nova Iguaçu, a proximidade dos bairros K-11 e Gericinó com áreas de mata cria uma faixa de conexão entre os municípios de Japeri e Nilópolis, que levam a territórios da Zona Norte do Rio, onde também há presença da facção.

“Em toda aquela Serra de Madureira, atuando ali pelo K11, Gericinó, Japeri, Nilópolis, você tem uma dimensão de mata e que transpõe da Baixada para a região do Chapadão, do outro lado, que é o Comando Vermelho”, detalha o sociólogo José Claudio.

Neste município, o bairro Km 32 é apontado por Alves como um dos pontos mais emblemáticos dessa dinâmica de confrontos entre milícia e Terceiro Comando Puro.

Em Itaguaí, a disputa envolve milícias, Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho. A cidade também aparece na expansão atribuída ao antigo Bonde do Ecko, grupo que se projetou a partir da Zona Oeste, e às estruturas que passaram a disputar territórios da Baixada e da Costa Verde. Após a morte Carlinhos Três Pontes, em 2017, e seu irmão Wellington da Silva Braga, o Ecko, em 2021, outros nomes passaram a ocupar espaços deixados pela antiga estrutura, como o de Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho.

Este último, inclusive, aceitou pagar o preço pelos anos de ilegalidade e se entregou à Polícia Federal em dezembro de 2023. “Eles veem em Itaguaí um corredor de expansão para a região dentro da Costa Verde”, complementa Alves.

Juninho Varão comanda a milícia do Varão em Seropédica | Crédito: Divulgação/ Disque Denúncia

Seropédica, por sua vez, passou a registrar confrontos entre grupos milicianos, com episódios de mortes e desaparecimentos, o que estremeceu a rotina que cercava a região antes da chegada desses grupos. Nessa região, quem manda é o bonde do Varão, operado por Gilson Ingrácio de Souza Júnior, o Juninho Varão.

“Isso acabou trazendo uma grande novidade para a cidade, que não tinha essa intensidade de confrontos, de mortos e desaparecimentos forçados”, reforça o sociólogo.

Caçadores de Ganso

Queimados e Japeri aparecem há anos entre os municípios que registram os maiores índices de homicídios e mortes por intervenção de agentes do Estado na Baixada. Era nessa região que o grupo denonimado “Caçadores de Ganso” espalhava terror.

“Queimados tinha uma milícia com um grupo de extermínio juntos, Caçadores de Ganso, que atuavam como grupo de extermínio, do que eles chamavam de Jovens Gansos, ligados ao tráfico, a pequenos furtos, assaltos. No caso de Queimados, essa milícia produziu inúmeros desaparecimentos forçados”, recupera Nalayne.

A conta, no fim, chega a quem vive no território. É o cotidiano de quem mora nessas áreas que a coordenadora X, de 38 anos, leva para dentro da discussão eleitoral. Capixaba por origem, ela vive em Duque de Caxias e diz perceber uma violência mais estridente no estado fluminense.

“Falar sobre isso é meio complicado, porque eu também acho que o Rio de Janeiro está entregue para tudo. Não sou daqui do Rio, sou do Espírito Santo, mas estou morando em Duque de Caxias e consigo ver uma diferença enorme. Acho que prefeitura, governo, deveriam dar mais uma olhada para a Baixada Fluminense”.

Confira as propostas dos candidatos

A reportagem procurou os nove candidatos ao governo do Rio, e todos receberam as mesmas três perguntas: como enfrentar a expansão das milícias na Baixada; se há propostas de integração entre as forças de segurança; e quais medidas podem reduzir o controle desses grupos sobre serviços, comércio e moradores.

Até o fechamento desta reportagem, às 15h desta sexta (28), responderam os candidatos André Marinho (Novo), Juliete Pantoja (UP) e William Siri (Psol). As respostas seguiram caminhos diferentes. Leia abaixo:

Combate à expansão

William Siri (PSOL): “Eu sou nascido e criado na Baixada Fluminense, no Km 32, em Nova Iguaçu, e eu conheço bem esse território. Então, nós vamos fortalecer a presença do Estado, melhorando os serviços de saneamento básico, educação, cultura, lazer, transporte e segurança nessas regiões. O abandono histórico da Baixada Fluminense facilitou a ocupação do território da milícia.

Além disso, o aumento dos investimentos em inteligência será fundamental para melhorar a capacidade de investigação da polícia e permitir o desmonte dos esquemas da milícia”.

William Siri é natural do bairro Km 32, em Nova Iguaçu | Crédito: Divulgação

Juliete Pantoja (UP): “Enfrentaremos os esquemas das famílias que controlam a política da Baixada Fluminense, ao mesmo tempo em que é preciso maior intervenção do Estado nesta região para garantir a universalização dos serviços básicos, como saneamento e saúde. Hoje, os municípios da Baixada contam com os piores níveis de atendimento nestes serviços no país.

Como pode uma região que conta com municípios que produzem tanta riqueza, como Duque de Caxias, com a Reduc, e Itaguaí com a Nuclep, ter seu povo submetido a tanta miséria? Hoje, para conseguir atendimento em qualquer postinho em algumas cidades, é preciso conhecer algum vereador.

Juliete preside o partido UP no estado atualmente | Crédito: Divulgação

Vamos acabar com isso, e esta é uma das primeiras medidas que poderão combater a expansão de grupos criminosos na Baixada. Só transformando completamente o sistema político, com medidas socialistas, poderemos pôr fim a esta realidade”.

André Marinho (Novo): “Primeiro, os nossos perímetros de ferro: ocupação com permanência. Entrou, ficou, retomou e reintegrou. Em todas as áreas definidas, por dados, por meta e não só por manchete. Operação que entra e sai no mesmo dia, entrega o morador à retaliação da bandidagem e da vagabundagem na manhã seguinte, chega. Tem que pensar no dia seguinte.

Segundo, criação de uma Draco regionalizada, instalada fisicamente na Baixada, com efetivo próprio, delegados dedicados, porque hoje o inquérito de milícia disputa a mesma fila que todo o resto e, por isso, demora anos e anos para ser resolvido. Não dá.

Terceiro: ‘operação asfixia’ para estrangular o crime organizado. Investigação patrimonial antes da investigação de rua, com quebra de sigilo, bloqueio de bens, cassação de inscrições estaduais e também mapeamento ali das matrículas, no cartório, nas empresas, na Jucerja. Porque milícia morre quando perde o imóvel, quando perde o posto e quando perde a distribuidora de gás.

André Marinho propõe combate à milícia estruturado em quatro frentes | Crédito: Divulgação

Quarto: Policial de Ferro, nosso programa aí para botar honra na farda de novo. Corregedoria com autonomia, orçamento próprio, porque vamos ser honestos sobre a origem dessa praga: ela nasceu dentro da máquina do Estado, dentro de batalhão corrupto feito por agentes e ex-agentes, e quem não encarar isso de frente não vence.”

Integração das forças de segurança

William Siri (PSOL): “Vamos ampliar o diálogo com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal para melhorarmos a fiscalização aérea e terrestre, interrompendo a chegada de armas e munição a esses grupos. Também criaremos o Grupamento de Policiamento Marítimo, com essa finalidade, para atuar nas baías de Guanabara e de Sepetiba.”

Juliete Pantoja (UP): “O problema da opressão imposta na Baixada não é isolado, mas é parte da política do capitalismo para o povo brasileiro. O domínio territorial, a guerra de facções e o controle da economia popular por milicianos fazem parte de um mesmo projeto: o de ampliação da dominação do capital imperialista da indústria de armas e também de outros serviços no nosso país.

Defendemos a desmilitarização das polícias e uma melhor gestão do orçamento bilionário da segurança pública. Após isso, são necessárias operações de inteligência que ataquem os atores que garantem o enriquecimento dos chefes desses grupos, muitos deles nem sequer moram na Baixada.”

André Marinho (Novo): “O que funciona não é fusão de polícia, é comando de operação com meta única e dado compartilhado, sem vaidade e sem flecha de um comandante contra o outro. Então, na prática, a gente está falando de uma sala de situação da Baixada Fluminense em regime permanente, com Polícia Civil, Polícia Militar, Gaeco, Receita Estadual, Polícia Federal na parte de armas e a Justiça acompanhando por varas especializadas.

Todo mundo na mesma sala, olhando a mesma tela, acompanhando o mesmo número, focado no interesse comum. Ponto final. Junto disso, a gente precisa ter uma base de dados unificada. Não é possível viver dessa bateção de cabeça, porque hoje a Civil tem o cadastro, a Militar tem outro, o Detran tem o dele, daí fica essa bateção de cabeça louca, enquanto a concessionária de energia tem o mapa de perdas não técnicas, que na Baixada é praticamente um mapa da milícia, e ninguém cruza nada.

[…] Eu vou propor para todo o prefeito da Baixada: embargo de toda obra clandestina, demolir construção irregular sem piedade. Fiscalização de posturas são armas pesadas contra as milícias, que estão na mão das prefeituras.

Um governo que se senta com os prefeitos da Baixada. Alinha isso de igual para igual, respeitando o outro lado, e tira de uma vez por todas a principal fonte de renda do miliciano sem disparar um tiro, que a gente vai conseguir.”

Serviços e economia

William Siri (PSOL): “Vamos ampliar a fiscalização, melhorar a capacidade de investigação da polícia e, no processo de retomada dos territórios que já citamos, também criar um programa estadual de distribuição de serviços hoje dominados pelas milícias.

Começando pela internet, criaremos um sistema de rede sem fio que garanta internet pública, gratuita e de qualidade, que será implementado em todo o nosso estado. Mas terá início nos territórios principalmente dominados por essas facções e por esse crime.”

Juliete Pantoja (UP): “Para nós é por aí que devemos começar. Queremos a estatização completa dos serviços de internet no país, assim poderemos impedir que estes grupos continuem a controlar este serviço. Além disso, defendemos a reestatização dos setores de energia e distribuição de água e combustível, que têm sido outras fontes de domínio econômico das milícias.

É preciso também empoderar mais o povo nas decisões políticas do Estado. Hoje um pequeno comerciante ou um morador da Baixada não tem direito de opinar sobre a política de segurança pública na sua cidade. Vamos mudar isso, estabelecendo uma política de segurança comunitária, onde é a população e não um coronel que decida qual será a prioridade da polícia na sua região.”

André Marinho (Novo): “A agenda aqui é ocupar cada linha de faturamento. Gás e energia, com ação conjunta entre a Agenersa, o Procon e concessionárias para regularizar ligação, para combater a venda casada de botijão e credenciar a distribuidora legal dentro das áreas liberadas. Onde o gás legal entra, a taxa ilegal cai sozinho.

Internet é hoje um dos maiores caixas. Levar provedor licenciado com preço popular para dentro da comunidade junto com a Anatel e derrubando a rede clandestina no mesmo movimento, não meses depois, como normalmente acontece.

Tem que ter muito peixe para fazer. Mas não é difícil, não. Só não pode errar o preço. Em relação ao transporte, vamos ter muita clareza, porque mototáxis clandestinos são caixa e controle de território ao mesmo tempo. Para pensar comigo aqui: licitação e cadastramento com o Detro e prefeituras, dando ao motorista honesto a chance de trabalhar legalizado. Já que muito motorista hoje é vítima e não sócio.

Falar também de habitação, que é o ouro da milícia. Regularização fundiária de verdade. Essa palavra é complexa, mas trata-se do maior senso de dignidade para as pessoas. Com os órgãos do Estado entregando matrícula, escritura direto para o morador se sentir dono daquele espaço. Porque quem tem documento próprio do imóvel não precisa pedir licença a bandido nenhum para reformar a própria casa.

E é necessário também criar um canal de denúncia, atendimento adequado para proteger o denunciante, e também um programa de crédito de formalização para o pequeno comerciante que hoje repassa parte do lucro só para não ser fechado na marra.

E o mais importante de tudo: permanência. Entrou, ficou, começou, terminou.”

A reportagem não conseguiu localizar a assessoria do coronel Busnello (Missão).

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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