Após dias de campanha nas redes sociais bolsonaristas, cerca de 13 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde deste domingo (26) para uma manifestação. O ato foi convocado pelo pastor Silas Malafaia e parlamentares apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), “em defesa do estado democrático de direito”, dos “direitos humanos” e da “memória de Cleriston da Cunha”, réu dos atos golpistas de 8 de janeiro que morreu de mal súbito durante banho de sol no Complexo da Papuda, no último dia 20. Os organizadores levaram a família do réu para o carro de som.
O ex-presidente, que chegou a publicar a convocação em seus perfis nas redes, decidiu não ir ao ato. Bolsonaro fez um vídeo na semana passada e chegou a dizer a Malafaia que iria, mas deixou o Rio de Janeiro na manhã de hoje e seguiu diretamente para Brasília.
Antes das 14h, manifestantes vestidos de camisetas verde e amarelas e bandeiras do Brasil e de Israel já se reuniam em frente ao Masp, na Avenida Paulista. O ato teve início oficialmente às 14h40, com um minuto de silêncio em memória de Clériston, homem que foi preso após participar dos atos de vandalismo e invasão na Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro.
No único trio elétrico da manifestação, foi estendida uma faixa com a frase: “Em defesa do Estado democrático de direito, dos Direitos Humanos e em memória de Clériston Pereira da Cunha”. Sob gritos de “Fora Xandão” e “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão” e com bandeiras do Brasil e de Israel, manifestantes e parlamentares fizeram ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao presidente Lula.
O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo – RS) criticou os “abusos” da Corte.
— Chega de tanto abuso. Eu estive essa semana junto com colegas e tantos outros brasileiros no velório do nosso querido Clezão. Ele sofreu essa tortura injusta durante meses e se tornou não apenas o meu amigo, mas um amigo do Brasil. Vocês estão aqui honrando a vida do Clezão — discursou —. Há gente que está sendo torturada por uma corte que se acha acima da Constituição. Nós atuamos sempre dentro da lei e da Constituição. A hora dos ministros do STF vai chegar e tá chegando.
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pediu “justiça” e direcionou sua fala aos familiares de Clériston que estavam no palco.
— Ele não vai ser esquecido, ele vai continuar vivendo no coração de cada um de nós que tem certeza que esse país vai ter justiça.
O ex-desembargador Sebastião Coelho fez um dos discursos que mais atiçou os ânimos dos manifestantes, acusando o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “assassinato”.
— O senhor cometeu assassinato ao não liberar o Clériston da prisão. O sangue do Clériston não será em vão, e o Senado federal, vamos investigar os senadores para tirar Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal e em seguida o seu destino é a cadeia. Fora Alexandre de Moraes, nós não vamos nos intimidar — falou, provocando gritos de “fora Xandão” na multidão.
Um dos políticos bolsonaristas presentes no evento foi o deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), que aproveitou sua fala para atacar o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Salles enfrenta uma queda de braço dentro do próprio partido para tentar se candidatar à prefeitura da capital Paulista, já que a direção da legenda pretende apoiar o emedebista.
— Estamos vivendo o pesadelo da eleição do ano passado. Pouco a pouco, o discurso de ‘o amor venceu’ está caindo e não vai demorar muito tempo para a gente se livrar daquele suposto presidente da República e pôr no lugar o presidente Jair Bolsonaro — disse o deputado.
Salles fez um discurso questionando Nunes como representante de pensamento de direita.
— Não são poucos aqueles que tentam usurpar a legitimidade e a força da direita. Aqui, na nossa cidade de São Paulo, nós temos um que está sentado lá por acaso, só está lá porque o prefeito infelizmente morreu, e quer se fazer passar por direita. Mas nós sabemos que ele não é — disse.
Com informações de O Globo.





