Bolsonaristas estão organizando para o próximo domingo (26) um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, em homenagem a Cleriston Pereira da Cunha, um dos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro e que morreu no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. A manifestação está sendo considerada um teste para medir a capacidade de mobilização dos seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que divulgou vídeo de apoio ao protesto.
Convocado pelo pastor Silas Malafaia, o ato, segundo os organizadores, defenderá o “estado democrático de direito” e os “direitos humanos”, além de homenagear Cleriston. Ele morreu de mal súbita; sua defesa alertara que ele sofria de problemas de saúde e pedia o relaxamento da prisão preventiva.
O ato na Avenida Paulista representa um teste significativo para o movimento bolsonarista, que enfrentou críticas pela falta de mobilização em protestos anteriores, como no Dia da Independência e na Proclamação da República. Lideranças próximas a Bolsonaro justificaram a ausência de apoiadores nas ruas pela falta de endosso do ex-presidente a esses eventos.
No Dia da Proclamação da República, 15 de novembro, as manifestações em Brasília e São Paulo tiveram presença pouco expressiva comparada a eventos anteriores, e nas redes sociais foram consideradas “flopadas”.
Cerca de 100 pessoas estavam na frente da Fiesp por volta das 13h, expandindo para ocupar parte da Paulista e da ciclovia às 14h. Em Brasília, mais de 200 apoiadores caminharam 1 km no Eixo Rodoviário, com discursos em frente à sede do Banco Central. Ao longo da tarde, mais bolsonaristas chegaram aos pontos de encontro, mas sem causar grandes aglomerações. 7
Entretanto, a expectativa para o dia 26 é maior, pois Bolsonaro divulgou um vídeo apoiando manifestação de domingo. Líderes religiosos, como Silas Malafaia, também divulgaram a convocatória, assim como parlamentares bolsonaristas, como Magno Malta (PL-ES), Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE).
O vídeo de Bolsonaro, apoiando o evento e a ênfase na caracterização do protesto como “pacífico”, reflete uma nova estratégia para evitar conflitos e possíveis tensões.
O homenageado da manifestação, Cleriston era acusado de participar de atos golpistas em 8 de janeiro e um dos apoiadores de Jair Bolsonaro presos pela Polícia Federal. Sua morte, decorrente de um mal súbito, ampliou a mobilização dos bolsonaristas, que agora invocam os “direitos humanos” como uma pauta central pela primeira vez.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi apontado pelos bolsonaristas como o responsável pela morte de Pereira. No entender da extrema-direita, o juiz teria negado o pedido da defesa para que o manifestante, com problemas de saúde em consequência da Covid-19, respondesse em liberdade.
No entanto, o pedido dos advogados Cleriston caiu na mesa de André Mendonça, indicado ao cargo por Bolsonaro sob a alegação de ser um jurista “terrivelmente evangélico”. Mendonça negou a solicitação da defesa e lembrou da jurisprudência da Corte, que barra libertações de pessoas presas por determinação de outros ministros.
Com informações do Diário do Centro do Mundo





